Outubro é quando muita empresa monta a pesquisa de clima do fim do ano, e quase sempre começa pelo mesmo atalho: copiar uma lista de afirmações e pedir que as pessoas digam se concordam. A lista pronta resolve o que perguntar. O que decide se o resultado vai servir para alguma coisa é como cada pergunta foi escrita, quantas entram e quem vai conseguir ler o recorte depois.
Uma pesquisa de clima organizacional é um questionário, respondido pelas pessoas da empresa, que mede como elas percebem o trabalho: liderança, reconhecimento, crescimento, remuneração, carga, comunicação e pertencimento. Este guia é o kit do questionário. Ele tem seis capítulos curtos e entrega um banco com 40 perguntas para pesquisa de clima em oito dimensões, sete regras para escrever as suas, a montagem de uma pesquisa anual de 24 itens e de um pulso de 5, um simulador de anonimato e margem de erro e o modelo do comunicado de devolutiva. Para ler o resultado, existe outro texto: o que os dados de 2026 dizem sobre clima e eNPS. Este aqui trata do instrumento, e começa por uma medição que muda o jeito de escrevê-lo.
A mesma pergunta, em dois formatos: quanto da resposta é sinal
Formato de concordância
"Os clínicos gerais geralmente tratam os pacientes como iguais."
Concordo totalmente · Concordo · Nem concordo nem discordo · Discordo · Discordo totalmente
0,40 com "geralmente"
0,18 com "raramente"
Escala do próprio assunto
"Com que frequência os clínicos gerais tratam os pacientes como iguais?"
Nunca ou quase nunca · Parte do tempo · Cerca de metade do tempo · A maior parte do tempo · Sempre ou quase sempre
0,76
Capítulo 1 — A pesquisa decide o quê?
Um erro frequente de uma pesquisa de clima não está em nenhuma pergunta. Está em fazer a pesquisa sem saber que decisão cada bloco vai alimentar. Uma pergunta sem decisão vira um número que ninguém pode mudar, e cada número desses ensina às pessoas que responder não muda nada.
Por isso o questionário começa por uma tabela, não por uma lista de perguntas. Para cada dimensão, escreva a decisão que o resultado vai informar, quem toma essa decisão e quando. Se uma linha não tiver dono, a dimensão sai da pesquisa deste ano.
| Dimensão | Decisão que o resultado informa | Quem decide | Quando |
|---|---|---|---|
| Liderança | Que gestores entram no programa de desenvolvimento de liderança do semestre | Diretoria + RH | Até 30 dias depois do fechamento |
| Reconhecimento | Se o programa de reconhecimento continua, muda de regra ou acaba | RH | Na revisão anual do programa |
| Crescimento e Desenvolvimento | Onde investir o orçamento de treinamento e quais trilhas de carreira publicar | RH + gestores de área | No planejamento do ano seguinte |
| Remuneração e Benefícios | O que muda no pacote de benefícios e na comunicação das faixas salariais | Diretoria financeira + RH | Antes do ciclo de revisão salarial |
| Equilíbrio Vida-Trabalho | Que times precisam de revisão de carga, de quadro ou de prioridade | Gestores de área | No próximo planejamento trimestral |
| Comunicação | Que canais e rituais de comunicação mudam | Comunicação interna + diretoria | Em até 60 dias |
| Pertencimento e Diversidade | Que ações de inclusão entram no plano do ano e em que áreas | Comitê ou RH | No plano anual |
| eNPS | Nenhuma sozinho: é o termômetro que diz se as outras dimensões estão no lugar certo | — | Comparado entre rodadas |
A última linha é proposital. O eNPS — a nota de 0 a 10 para "o quanto você recomendaria a empresa como lugar para trabalhar" — não aponta causa. Ele serve para comparar uma rodada com a outra e uma área com a outra (e é um dos insumos de uma proposta de valor ao empregado feita com dados), e quem quiser entender o que fazer com ele precisa das dimensões de cima. Se o tema for retenção, a pergunta certa nem sempre está numa pesquisa anônima: às vezes está numa entrevista de permanência, que tem nome e conversa.
Leve deste capítulo: antes de escrever a primeira pergunta, preencha as quatro colunas. A dimensão que não tiver decisão, dono e data fica fora deste ano.
Capítulo 2 — Sete regras para escrever uma pergunta
As regras abaixo valem para qualquer pergunta de pesquisa de clima, inclusive as que você copiar de um modelo. Cada uma traz um exemplo de como costuma sair e de como fica depois de aplicada.
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Uma ideia por pergunta
A pergunta com duas ideias recebe uma resposta que não diz a qual delas a pessoa respondeu. Se o resultado for baixo, ninguém sabe se o problema é a clareza ou a frequência.
Costuma sair"Meu gestor me dá feedback claro e frequente."
Fica assim"Nos últimos 30 dias, recebi do meu gestor um comentário específico sobre o meu trabalho."
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Quando puder, use a escala do próprio assunto
É o que mostra a figura do começo. No experimento de Saris e colegas, com amostras da European Social Survey em 14 países, as perguntas com opções do próprio assunto ("nunca ou quase nunca", "parte do tempo"… "sempre ou quase sempre") tiveram qualidade em torno de 0,75, contra 0,18 a 0,40 das mesmas perguntas em formato de concordância. Os autores repetiram o teste em quatro estudos, com ordens e modos diferentes, e a vantagem apareceu em quase todos. Uma explicação é a aquiescência — a tendência de concordar com qualquer afirmação.
Costuma sair"Tenho acesso às informações necessárias para o meu trabalho." (Concordo… Discordo)
Fica assim"Com que frequência você recebe a tempo as informações de que precisa para fazer seu trabalho?" (Sempre · Quase sempre · Às vezes · Raramente · Nunca)
A escala de concordância não é proibida: ela permite comparar dimensões entre si com a mesma régua, e é a que muitas ferramentas pontuam — inclusive a Spire, como mostra a seção de produto. Se for usá-la, aplique as outras seis regras com mais rigor. O mesmo cuidado de descrever cada ponto da escala com palavras do assunto é o que faz uma escala de avaliação de desempenho com âncoras funcionar.
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Não misture perguntas invertidas para "pegar" quem responde no automático
A pergunta invertida é a que tem o sentido negativo ("Sinto que meu feedback é ignorado"), e é comum colocá-la no meio das outras para flagrar quem marca tudo igual. Num estudo com 374 adultos na Espanha (Suárez-Alvarez e colegas, Psicothema, 2018), o mesmo teste de 20 itens teve confiabilidade (alfa de Cronbach) de 0,93 só com itens diretos, 0,92 só com invertidos e 0,88 com os dois misturados — e a forma misturada discriminou pior em 14 dos 20 itens. Os próprios autores descrevem um dilema: sem itens invertidos, a aquiescência fica livre; com eles misturados, parte das pessoas entende a frase de outro jeito.
Costuma sair"Com frequência, sinto que trabalho demais."
Fica assim"Nas últimas quatro semanas, quantas vezes você precisou trabalhar fora do seu horário para dar conta das entregas?" (Nenhuma · 1 ou 2 · 3 a 5 · Mais de 5)
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Pergunte da experiência da pessoa, não da empresa em abstrato
"Aqui as pessoas são respeitadas" pede um julgamento sobre todo mundo. A pessoa responde pelo que ouviu dizer. "As pessoas do meu time me trataram com respeito" pede o que ela viveu, que é o que ela sabe.
Costuma sair"A empresa valoriza as pessoas."
Fica assim"Nos últimos três meses, meu trabalho foi reconhecido por alguém além de mim."
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Quando a pergunta é sobre algo que acontece, dê uma janela de tempo
Em perguntas de frequência ou de evento, sem janela uma pessoa responde pelo último mês e outra pelos últimos dois anos. Trinta dias para o que acontece toda semana, três meses para o que acontece de vez em quando, um ano para carreira e remuneração.
Costuma sair"Tenho conversas sobre minha carreira."
Fica assim"Nos últimos 12 meses, tive pelo menos uma conversa com meu gestor sobre o próximo passo da minha carreira."
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Só pergunte o que a pessoa tem como saber
No mesmo experimento da figura do começo, a primeira pergunta ("os médicos escondem dos pacientes toda a verdade") teve qualidade baixa em todos os formatos, de 0,20 a 0,48. A leitura dos autores: as pessoas não sabem o que o médico faz. No trabalho, o equivalente é perguntar a quem está na operação se "a diretoria toma boas decisões estratégicas".
Costuma sair"A liderança da empresa toma as decisões certas."
Fica assim"Quando uma decisão da diretoria muda o meu trabalho, eu entendo por que ela foi tomada."
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Não pergunte o que a empresa não vai mudar
É a regra do capítulo 1 aplicada pergunta a pergunta. Se o plano de saúde está fechado por contrato até 2028, perguntar se as pessoas estão satisfeitas com ele gera uma expectativa que a empresa já sabe que não vai cumprir. Pergunte sobre o que pode mudar neste ciclo.
Costuma sair"Os benefícios da empresa atendem às minhas necessidades."
Fica assim"Se você pudesse trocar um benefício atual por outro de mesmo custo, qual trocaria e por qual?" (aberta)
A versão reescrita ainda fala de benefícios, mas passa na regra porque pergunta por uma troca de mesmo custo — que cabe no orçamento deste ciclo, mesmo com o contrato do plano fechado.
Leve deste capítulo: antes de publicar, leia cada pergunta e faça sete checagens — uma ideia, escala do assunto, sentido direto, experiência própria, janela de tempo (quando couber), a pessoa sabe responder, a empresa pode mudar. A que reprovar em qualquer uma é reescrita.
Antes de abrir a pesquisa · 90 segundos
Veja se clima é a área mais fraca da sua gestão de pessoas
O diagnóstico tem oito perguntas sobre metas, desempenho, desenvolvimento e clima — uma delas é se vocês medem clima ou engajamento, e como. Depois de um cadastro rápido, você vê uma nota por área e a primeira coisa a corrigir. Se clima sair como a mais fraca, a recomendação de lá é trocar a anual por pulsos curtos; este guia sugere manter a anual e usar os pulsos para acompanhar o que ela apontou (capítulo 4).
Capítulo 3 — O banco: 40 perguntas para pesquisa de clima em oito dimensões
As perguntas abaixo já passaram pelas sete regras. Estão escritas como afirmações, para quem vai usar a escala de concordância de 1 a 5, e cada dimensão traz uma versão com a escala do próprio assunto para a pergunta mais importante dela — para quem roda o questionário numa ferramenta que lê múltipla escolha, ou numa rodada à parte. As oito dimensões são as mesmas da biblioteca de perguntas da Spire, para que cada pergunta caiba na dimensão certa ao ser criada lá. Use como ponto de partida: troque palavras para o vocabulário da sua empresa, mas mantenha a ideia única e a janela de tempo onde houver.
Liderança (gestor direto)
- Nos últimos 30 dias, recebi do meu gestor um comentário específico sobre o meu trabalho.
- Sei o que o meu gestor espera de mim neste trimestre.
- Quando travo numa entrega, consigo a ajuda do meu gestor em até um dia útil.
- Nos últimos três meses, meu gestor mudou algo depois de ouvir uma sugestão minha.
- Me sinto à vontade para discordar do meu gestor numa reunião.
Escala própria para a nº 1 "Nos últimos 30 dias, quantas vezes seu gestor comentou algo específico sobre o seu trabalho?" — Nenhuma · 1 · 2 ou 3 · 4 ou mais
Reconhecimento
- Nos últimos três meses, meu trabalho foi reconhecido por alguém além de mim.
- Quando faço uma entrega acima do esperado, alguém do meu time fica sabendo.
- Nos últimos três meses, recebi crédito pelo trabalho que fiz.
- Quando reconheço o trabalho de um colega, sei como fazer isso chegar a ele.
- Nos últimos seis meses, vi alguém da minha área ser reconhecido por um trabalho que pouca gente via.
Escala própria para a nº 6 "Quando foi a última vez que alguém reconheceu um trabalho seu?" — Nesta semana · Neste mês · Nos últimos três meses · Há mais de três meses · Não lembro
Crescimento e Desenvolvimento
- Nos últimos 12 meses, tive pelo menos uma conversa com meu gestor sobre o próximo passo da minha carreira.
- Sei o que precisaria mostrar para chegar ao próximo nível na minha função.
- Nos últimos seis meses, aprendi algo no trabalho que uso hoje.
- Tenho tempo, dentro do horário, para me desenvolver.
- Se uma vaga interna me interessasse, eu me sentiria à vontade para me candidatar.
Escala própria para a nº 12 "O quanto está claro para você o que precisaria mostrar para chegar ao próximo nível?" — Totalmente claro · Bastante claro · Mais ou menos · Pouco claro · Nada claro
Remuneração e Benefícios
- Entendo como o meu salário é definido.
- Sei qual é a faixa salarial da minha função.
- Entendo o que precisaria acontecer para eu receber um aumento.
- Uso pelo menos um benefício da empresa todo mês.
- Quando tenho dúvida sobre salário ou benefício, sei a quem perguntar.
Escala própria para a nº 16 "O quanto você entende como o seu salário é definido?" — Entendo bem · Entendo em parte · Entendo pouco · Não entendo
Equilíbrio Vida-Trabalho
- Na maior parte das semanas, consigo terminar meu trabalho dentro do horário.
- Consigo me desconectar do trabalho nas minhas folgas.
- Quando preciso resolver algo pessoal no horário de trabalho, consigo combinar isso com o meu time.
- O volume de reuniões me deixa tempo para o trabalho que exige concentração.
- Nos últimos 30 dias, as prioridades do meu time ficaram estáveis por tempo suficiente para eu concluir o que comecei.
Escala própria para a nº 21 "Nas últimas quatro semanas, quantas vezes você precisou trabalhar fora do seu horário para dar conta das entregas?" — Nenhuma · 1 ou 2 · 3 a 5 · Mais de 5
Comunicação
- Fico sabendo das mudanças que afetam meu trabalho antes que elas aconteçam.
- Quando uma decisão da diretoria muda o meu trabalho, eu entendo por que ela foi tomada.
- Recebo a tempo as informações de que preciso para fazer meu trabalho.
- Sei quais são as prioridades da empresa neste semestre.
- Quando faço uma pergunta a outra área, recebo resposta.
Escala própria para a nº 26 "Da última mudança que afetou o seu trabalho, quando você ficou sabendo?" — Com antecedência · No mesmo dia · Depois que já estava valendo · Ainda não sei direito
Pertencimento e Diversidade
- Nos últimos três meses, as pessoas do meu time me trataram com respeito.
- Posso ser quem eu sou no trabalho sem prejuízo para a minha carreira.
- Quando cometo um erro, ele é tratado como algo para aprender, não para punir.
- Na minha área, sei como as oportunidades são distribuídas.
- Sei a quem relatar um tratamento desrespeitoso.
Escala própria para a nº 33 "Da última vez que você cometeu um erro no trabalho, como ele foi tratado?" — Como algo para aprender · Foi corrigido sem comentários · Com cobrança, mas sem punição · Com punição ou exposição
eNPS e perguntas abertas
- De 0 a 10, o quanto você recomendaria esta empresa como um lugar para trabalhar a um amigo?
- (Aberta, logo depois do eNPS) Qual é o principal motivo da nota que você deu?
- (Aberta) O que deveria continuar exatamente como está?
- (Aberta) Se você pudesse mudar uma única coisa no seu dia a dia de trabalho, o que mudaria?
- (Aberta) Se você pudesse trocar um benefício atual por outro de mesmo custo, qual trocaria e por qual?
Como ler o eNPS Promotores dão 9 ou 10, neutros 7 ou 8, detratores de 0 a 6. eNPS = % de promotores − % de detratores, de −100 a +100.
Duas observações sobre o banco. Primeira: todas as afirmações estão no sentido direto, de propósito (regra 3). Segunda: a pergunta 40 é a mesma do exemplo da regra 7, e só deve entrar se o pacote de benefícios puder mudar neste ciclo. As de crescimento ficam mais fáceis de responder quando a empresa já tem PDI, critérios de promoção publicados e vagas internas abertas a quem já está dentro — se não tem, o resultado baixo da dimensão já diz por onde começar. As perguntas de liderança medem o gestor direto; se o objetivo é desenvolver gestores, o resultado delas conversa com a avaliação 360 e com o feedback contínuo, e as de reconhecimento, com o programa de reconhecimento.
Leve deste capítulo: o banco é para escolher, não para usar inteiro. O próximo capítulo diz quantas entram em cada formato de pesquisa.
Capítulo 4 — Tamanho, ordem e cadência
"Pesquisa curta tem mais resposta" é uma frase repetida sobre o assunto, e a evidência é menos simples do que ela. Num experimento do SOM Institute, da Universidade de Gotemburgo, 8.000 moradores sorteados receberam um questionário de 149 ou de 205 perguntas. Na versão longa, a resposta foi de 45,8%, contra 48,5% na curta — 2,7 pontos a menos. Mas a diferença ficou toda no papel: a parcela que respondeu pela internet foi de 11,1% na longa e 11,0% na curta, sem diferença, e a qualidade dos dados não caiu na versão longa. As duas versões anunciavam o mesmo tempo, cerca de meia hora. A revisão do mesmo relatório lembra que outros estudos acharam queda de participação quando o tempo previsto é anunciado antes, como fizeram Galesic e Bošnjak em 2009.
O que isso diz para uma pesquisa de clima: o tamanho importa menos pelo número de perguntas e mais pelo que ele anuncia e pelo cansaço no fim. A recomendação prática, que é nossa e não sai de nenhum desses estudos, é esta:
Pesquisa anual
24 itens
- 3 perguntas de cada uma das sete dimensões (21)
- eNPS (nº 36) e o motivo da nota (nº 37)
- 1 aberta de mudança (nº 39)
Sugestão do banco: 1, 2, 5 · 6, 8, 9 · 11, 12, 15 · 16, 17, 18 · 21, 22, 24 · 26, 27, 29 · 31, 33, 35 · 36, 37, 39
Pulso mensal ou trimestral
5 itens
- eNPS (nº 36), sempre igual, para comparar rodadas
- 3 perguntas de uma ou duas dimensões, que mudam a cada rodada
- 1 aberta (nº 37 ou 39)
O pulso acompanha o que a anual apontou; não substitui a anual.
Quatro regras de ordem que valem para os dois formatos:
- O eNPS entra primeiro. Assim a nota não é influenciada pelas perguntas sobre problemas que vêm depois, e fica comparável entre a anual e o pulso.
- Cada dimensão fica num bloco. Pular de remuneração para liderança e voltar cansa mais do que o número de perguntas.
- A aberta do motivo vem colada no eNPS; a de mudança fecha a pesquisa. As duas são opcionais, para não travar quem não quer escrever.
- A pergunta tem de ser a mesma entre rodadas. Trocar uma palavra quebra a comparação, que é o que a análise dos dados de 2026 trata como primeira decisão de desenho.
Leve deste capítulo: 24 itens na anual, 5 no pulso, eNPS sempre primeiro e sempre igual. Avise o tempo previsto com honestidade — e mantenha-o.
Capítulo 5 — Anonimato e margem de erro: quem você vai conseguir ler
Uma pesquisa anônima esconde os recortes pequenos: se um departamento tem menos respostas que um mínimo combinado (o grupo mínimo, em geral 5), o resultado dele não aparece, para que ninguém seja identificado pela média. Isso protege as pessoas e cria dois efeitos que convém conhecer antes de abrir a pesquisa, não depois.
O primeiro é o recorte que some. O segundo é o recorte que aparece mas não diz muito. Um departamento com 6 respostas passa no grupo mínimo, mas a margem de erro de uma porcentagem com 6 respostas é tão larga que quase qualquer diferença cabe dentro dela. A margem de erro aqui é a faixa, em pontos percentuais e com 95% de confiança, em torno de um resultado como "64% de respostas favoráveis". Ela encolhe quando mais gente responde e quando quem respondeu é quase todo o grupo.
O exemplo abaixo é de uma empresa fictícia de 180 pessoas, em sete departamentos, que espera 70% de participação e usa grupo mínimo de 5. O simulador seguinte faz a mesma conta com os seus números.
| Departamento | Pessoas | Respostas esperadas (70%) | No relatório | Margem de erro |
|---|---|---|---|---|
| Operações | 61 | 43 | Aparece | ± 8,2 pontos |
| Comercial | 42 | 29 | Aparece | ± 10,2 pontos |
| Tecnologia | 28 | 20 | Aparece | ± 11,9 pontos |
| Produto | 23 | 16 | Aparece | ± 13,8 pontos |
| Marketing | 11 | 8 | Aparece, pouco legível | ± 19,0 pontos |
| Financeiro | 9 | 6 | Aparece, pouco legível | ± 24,5 pontos |
| Pessoas (RH) | 6 | 4 | Vai para "Outros" | — |
| Outros | 6 | 4 | Oculto (< 5) | — |
| Empresa inteira | 180 | 126 | Aparece | ± 4,8 pontos |
Três leituras da tabela. O RH não aparece em lugar nenhum, nem sozinho nem no grupo "Outros", porque o grupo que juntaria os pequenos também ficou abaixo de 5. Marketing e Financeiro aparecem, mas uma diferença de 15 pontos entre eles e a média da empresa cabe na margem. E mesmo entre os dois maiores, Operações e Comercial, a diferença só passa a ser legível acima de uns 13 pontos (a raiz da soma dos quadrados das duas margens). Se o RH quer comparar os dois e ler Marketing, precisa de mais participação ou de outro recorte — e precisa saber disso antes de prometer resultado por área. Times pequenos são comuns quando a amplitude de controle é estreita, e é ali que o recorte some primeiro.
A conta tem um limite que vale declarar: ela supõe que quem respondeu se parece com quem não respondeu. Numa pesquisa de clima, quem está mais insatisfeito às vezes responde mais, às vezes não responde, e nenhuma fórmula corrige isso. A margem diz o mínimo de incerteza, não o máximo.
Simulador: quem aparece no relatório
126 respostas esperadas de 180 pessoas. Margem da empresa inteira: ± 4,8 pontos. 4 de 7 departamentos ficam legíveis (margem até 15 pontos), 2 aparecem com margem maior e 1 fica oculto.
- Oculto: Pessoas (RH). O grupo "Outros" teria 4 respostas e também fica abaixo do mínimo de 5.
- Pouco legível: Marketing (± 19,0), Financeiro (± 24,5).
- Para comparar os dois maiores (Operações e Comercial), a diferença precisa passar de 13,1 pontos.
A conta roda no seu navegador e nada do que você digita sai dele. Sem JavaScript, o resultado mostrado é o do exemplo acima.
Leve deste capítulo: rode a conta antes de abrir a pesquisa e diga às pessoas, no convite, quais recortes vão existir. Prometer resultado por área e entregar "Outros" desgasta a próxima rodada.
Capítulo 6 — Depois de fechar: o prazo da devolutiva
O relatório 2026 da Perceptyx sobre programas de escuta, feito no início do ano com mais de 750 líderes de RH de empresas com mil funcionários ou mais, mostra onde a pesquisa costuma se perder. Na base de pesquisas da própria consultoria, 71% dos funcionários dizem que a empresa compartilha o resultado, 59% dizem que planos de ação são criados e só 51% dizem que alguma melhoria resultou do que responderam. O relatório não publica o tamanho nem as datas dessa base, então leia os três números como ordem de grandeza. Se forem, em boa parte, as mesmas pessoas — o relatório não diz —, cerca de três em cada dez que veem o resultado não veem nada mudar.
O mesmo relatório diz que 77% das empresas entregam o resultado em até um mês depois do fechamento, e só 16% em menos de uma semana. O prazo importa porque a devolutiva é o que faz a próxima rodada ter resposta. Um calendário que funciona:
- Semana 1 depois do fechamento: o RH fecha os números e roda os recortes que o capítulo 5 previu.
- Semana 2: cada dono de decisão do capítulo 1 recebe a sua dimensão e escolhe no máximo uma ação por dimensão, com prazo.
- Semana 3: o comunicado de devolutiva sai para a empresa inteira (o modelo está no fim deste guia), e cada gestor leva o resultado do time para a reunião 1:1 ou para a reunião de time.
- No pulso seguinte: as perguntas do pulso são as da dimensão que ganhou ação, para ver se ela mexeu.
Se a empresa já tem um calendário de rituais, a devolutiva entra nele como mais um ritual com dono e data — o mesmo princípio do guia de rituais de gestão de pessoas. E o comunicado não precisa de nada novo: ele usa o mesmo canal dos outros comunicados, que vale medir como mostra o texto sobre alcance da comunicação interna.
Leve deste capítulo: devolutiva em até três semanas, uma ação por dimensão com dono e prazo, e o pulso seguinte medindo exatamente essa ação.
Como montar este questionário na Spire
A Spire tem um módulo de Pesquisa de Clima que segue boa parte do desenho deste guia. Ele vem desligado numa conta nova: quem tem acesso de administrador completo liga em Configurações → Funcionalidades. Depois disso, o caminho é este:
- Criar a pesquisa: em Admin → Pesquisas de Clima → Criar Pesquisa, escolha um ou mais modelos — "eNPS", "Engajamento (estilo Q12)", "Clima completo por dimensões" ou "Pulso rápido" — ou comece em branco. A Biblioteca de perguntas tem as mesmas oito dimensões do banco acima, e qualquer pergunta deste guia entra como pergunta personalizada, na dimensão correspondente.
- Ordem: não há reordenação na tela, e as perguntas personalizadas entram antes das da biblioteca. Para seguir a ordem do capítulo 4, comece em branco, crie o eNPS primeiro e depois cada bloco, na ordem em que deve aparecer. Ao criar as perguntas abertas, desmarque "Obrigatória", que vem marcada.
- Tipos de pergunta: escala de concordância de 1 a 5 (o ponto do meio aparece como "Neutro"), eNPS de 0 a 10, múltipla escolha, lista suspensa e texto aberto. Cada pergunta pode ser obrigatória ou não, e pode ter pontuação invertida.
- Anonimato: a pesquisa é anônima por padrão, com tamanho mínimo do grupo 5 (configurável). Departamentos abaixo do mínimo são somados num grupo "Outros", que só aparece se ele próprio passar do mínimo — a mesma regra do simulador. Depois da primeira resposta, o anonimato não pode mais ser trocado.
- Público e convite: todos os membros, departamentos, cargos ou pessoas escolhidas. Ao ativar, cada pessoa recebe uma notificação no sistema e, com "Notificar por e-mail" ligado, também um e-mail; o botão Reenviar lembrete escreve só para quem ainda não respondeu.
- Resultado: em People Analytics → Pesquisa de Clima ficam participação, eNPS (geral e por departamento), favorabilidade por dimensão com mapa de calor por departamento, a tendência entre ondas e os comentários abertos. A Nova onda clona a pesquisa, para que a pergunta seja a mesma na rodada seguinte.
| Se você quer… | Hoje, na Spire | O que fazer |
|---|---|---|
| Ler as perguntas com escala própria | O painel lê a escala de concordância, o eNPS e o texto aberto; respostas de múltipla escolha e lista suspensa não aparecem no relatório | Use as versões em concordância do banco; as de escala própria servem para outra ferramenta ou para uma rodada à parte |
| Seguir a regra 3 usando os modelos prontos | Duas perguntas da biblioteca são invertidas ("Sinto que meu feedback é ignorado…" e "Sinto que minha carga de trabalho é excessiva…") | Troque por versões no sentido direto, como as nº 4 e 21 do banco |
| Recorte por tempo de casa ou por cargo | O resultado é recortado por departamento | Para tempo de casa, rode uma pesquisa com público por membros; ou leia junto com o turnover por tempo de casa |
| Resultado por pergunta | O painel mostra favorabilidade e média por dimensão | Deixe numa dimensão só as perguntas que você quer ler juntas |
| Pesquisa recorrente automática | Cada rodada é uma "Nova onda" criada à mão | Coloque a criação da onda no calendário de rituais do RH |
| Resultado do time para cada gestor | Os resultados ficam com quem administra a pesquisa | O RH leva o recorte do time para o gestor, como no capítulo 6 |
O modelo: o comunicado de devolutiva
O guia termina pelo texto que costuma faltar nas pesquisas de clima: o que a empresa diz depois. O modelo abaixo usa os números da empresa fictícia do capítulo 5. Troque os colchetes e mantenha a estrutura — o que ouvimos, o que vamos fazer, quem cuida, quando você vai ver, o que não vamos fazer agora.
Para: todas as pessoas da [Empresa]
Assunto: O que a pesquisa de clima de outubro disse, e o que muda até março
Oi, pessoal. A pesquisa de clima fechou no dia [data], com 126 respostas de 180 pessoas (70%). Obrigado a quem respondeu. Abaixo está o que ouvimos, o que vai mudar e quando vocês vão poder conferir.
O que ouvimos
- A dimensão mais bem avaliada foi [Pertencimento], com [78%] de respostas favoráveis.
- A que mais precisa de atenção foi [Equilíbrio Vida-Trabalho], com [41%] — e o comentário mais repetido nas perguntas abertas foi sobre [reuniões que tomam a tarde inteira].
- Em [Remuneração e Benefícios], só [48%] concordaram com "Sei qual é a faixa salarial da minha função".
- Nosso eNPS foi [+12]. Na rodada anterior, foi [+18].
O que vamos fazer
- [Toda quarta à tarde, sem reuniões internas, a partir de 3/11.] (Equilíbrio Vida-Trabalho.) Quem cuida: [nome, cargo]. Vamos medir de novo no pulso de [janeiro].
- [Publicar as faixas salariais de cada função na intranet.] (Remuneração e Benefícios.) Quem cuida: [nome, cargo]. Até [15/12].
O que não vamos fazer agora, e por quê
[Mudar o plano de saúde.] [O contrato vai até 2028]; as sugestões sobre isso estão guardadas para a renegociação.
Por que alguns recortes não aparecem
Áreas com menos de 5 respostas não têm resultado próprio, para que ninguém possa ser identificado. Elas continuam contando no resultado da empresa.
— [Nome], [cargo]
Perguntas frequentes sobre perguntas de pesquisa de clima
Quantas perguntas deve ter uma pesquisa de clima organizacional?
Uma referência prática é 24 itens na pesquisa anual (três por dimensão em sete dimensões, mais o eNPS, o motivo da nota e uma pergunta aberta) e 5 no pulso. Num experimento com 8.000 pessoas em Gotemburgo (SOM Institute, 2022), a versão de 205 perguntas teve 2,7 pontos a menos de resposta que a de 149, e a diferença ficou toda no papel: a parcela que respondeu pela internet foi a mesma nas duas. O tamanho pesa menos que o tempo anunciado e o cansaço no fim.
Quais são as dimensões de uma pesquisa de clima?
Uma divisão frequente é liderança, reconhecimento, crescimento e desenvolvimento, remuneração e benefícios, equilíbrio entre vida e trabalho, comunicação e pertencimento, além do eNPS. A dimensão só deve entrar se houver uma decisão, um dono e uma data para o resultado dela.
É melhor usar escala de concordância ou outra escala?
Quando der, a escala do próprio assunto ("com que frequência", "quando foi a última vez"). No experimento de Saris e colegas (2010), com amostras de 14 países, ela teve qualidade em torno de 0,75 contra 0,18 a 0,40 da concordância nas mesmas perguntas. A concordância ainda é útil para comparar dimensões com a mesma régua; nesse caso, escreva cada afirmação com uma ideia, no sentido direto e, quando couber, com janela de tempo.
Devo usar perguntas invertidas?
Não para flagrar quem responde no automático. Num estudo com 374 adultos (Suárez-Alvarez e colegas, 2018), misturar itens diretos e invertidos baixou a confiabilidade do teste de 0,93 para 0,88. Prefira afirmações no sentido direto ou perguntas com escala própria.
Como calcular o eNPS?
Pergunte de 0 a 10 o quanto a pessoa recomendaria a empresa como lugar para trabalhar. Notas 9 e 10 são promotores, 7 e 8 neutros, 0 a 6 detratores. eNPS = porcentagem de promotores menos porcentagem de detratores, num resultado de −100 a +100.
Qual é o número mínimo de respostas para mostrar o resultado de uma área?
Uma referência frequente é 5 respostas, e é o padrão da Spire — onde áreas abaixo disso são somadas num grupo "Outros", que só aparece se a soma também chegar a 5. Mas passar do mínimo não torna o recorte legível: com 6 respostas num departamento de 9 pessoas, a margem de erro de uma porcentagem é de cerca de ±24 pontos. Rode a conta antes de prometer resultado por área.
A pesquisa de clima precisa ser anônima?
Para temas como liderança, carga e respeito, sim: o anonimato é o que permite a resposta sincera. A pesquisa nominal serve para outros fins, como acompanhar uma ação com quem participou dela. Decida antes de abrir, porque na Spire o anonimato fica travado depois da primeira resposta.
Com que frequência fazer pesquisa de clima?
Uma anual completa e pulsos curtos mensais ou trimestrais que acompanham a ação escolhida na devolutiva. O pulso mede se a ação mexeu; a anual mede o conjunto. O mais importante é a devolutiva: em 2026, 71% dos funcionários na base da Perceptyx dizem que o resultado é compartilhado, mas só 51% dizem que algo melhorou.
Fontes
- Saris, W. E.; Revilla, M.; Krosnick, J. A.; Shaeffer, E. M. (2010). "Comparing Questions with Agree/Disagree Response Options to Questions with Item-Specific Response Options". Survey Research Methods, 4(1), 61–79. Experimentos de amostra dividida com desenho multitraço-multimétodo nas rodadas 2 e 3 da European Social Survey; a figura usa a tabela 2 (14 países, médias de qualidade por formato).
- Suárez-Alvarez, J.; Pedrosa, I.; Lozano, L. M.; García-Cueto, E.; Cuesta, M.; Muñiz, J. (2018). "Using reversed items in Likert scales: A questionable practice". Psicothema, 30(2), 149–158. 374 adultos na Espanha, medidas repetidas com formas direta, invertida e mista de um teste de autoeficácia de 20 itens.
- Sandelin, F. (2022). "The effects of questionnaire length on response rate, non-response bias, and data quality". SOM Institute, Universidade de Gotemburgo, Notes on Survey Methodology 2022:1. Experimento de 2020 com 8.000 moradores sorteados (4.000 por versão), questionário misto em papel e internet.
- Galesic, M.; Bošnjak, M. (2009). "Effects of Questionnaire Length on Participation and Indicators of Response Quality in a Web Survey". Public Opinion Quarterly, 73(2), 349–360. Citado aqui pela revisão de Sandelin (2022); não abrimos o artigo original.
- Perceptyx, The State of Employee Listening 2026. Pesquisa feita no início de 2026 com mais de 750 líderes de RH de empresas com mil funcionários ou mais; os números de 71%, 59% e 51% vêm da base de pesquisas com funcionários da própria consultoria, sem tamanho nem datas publicados.
- Empresa de 180 pessoas do capítulo 5 e do comunicado de devolutiva: dados fictícios, criados para este guia. As margens de erro da tabela e do simulador foram calculadas em código com a mesma fórmula.
Teste de 15 dias · comece em branco
Monte a anual de 24 itens num espaço de teste
Ligue a Pesquisa de Clima em Configurações, crie uma pesquisa em branco, comece pelo eNPS e escreva os blocos na ordem do capítulo 4. O grupo mínimo, os recortes por departamento e a tendência entre ondas já vêm prontos.


