Toda regra que transforma OKR em bônus desenha uma curva com duas quinas: o piso, abaixo do qual um resultado não conta nada, e o teto, acima do qual ele não conta mais. O comportamento das pessoas muda nessas duas quinas — não no meio da curva. Este texto mostra a regra em uma linha, o que a pesquisa mede sobre metas ligadas a dinheiro, um exemplo resolvido em que dois centésimos de ponto de satisfação valem 16 pontos de bônus, uma calculadora para rodar com os seus números e as seis decisões que precisam estar escritas antes de o ciclo começar.
Bônus por OKR: o que é o resultado para bônus
Quando uma empresa decide que parte da remuneração variável depende de OKR, ela precisa de um número que não é o progresso. O progresso responde "quanto andamos?" e serve para conversar no check-in. O resultado para bônus responde "quanto disso vira dinheiro?" e serve para uma decisão que não volta atrás. Misturar os dois na mesma tela é o primeiro erro, porque o progresso precisa ser honesto para orientar a semana, e o resultado para bônus precisa ser previsível para não ser negociado no fim do ano.
A regra que as políticas de bônus por meta costumam escrever, cada uma com outras palavras, cabe numa linha:
conta no bônus = 0 se atingimento < piso; senão mín(atingimento, teto)
- Atingimento
- Quanto o key result andou da linha de base até a meta. Num KR crescente: (atual − linha de base) ÷ (meta − linha de base). Pode passar de 100%.
- Piso (gatilho)
- O atingimento mínimo para o KR contar alguma coisa. Abaixo dele, conta zero — não "um pouco menos".
- Teto
- O máximo que um KR pode contar. Acima dele, o excedente não vale nada no bônus, mesmo que continue valendo no negócio.
- Resultado para bônus
- A média dos KRs já cortados pela regra, por objetivo, e depois a média dos objetivos pelos pesos de cada pessoa. É um insumo da decisão de bônus, não o valor em reais.
Duas palavras dessa linha decidem quase tudo e costumam ficar de fora da política: onde o piso é aplicado (em cada KR, no objetivo inteiro ou no resultado final da pessoa) e quem escreve o "atual". O exemplo resolvido mais abaixo mostra que a primeira escolha, sozinha, leva o mesmo trimestre de 92% para 61%. A segunda é o assunto da pesquisa.
Antes de seguir, uma ressalva do guia de implementação de OKR deste blog que este texto mantém: nota que vira dinheiro sem mediação ensina o time a propor metas que já sabe que vai bater, e a ligação com remuneração tem de passar por julgamento humano. A regra deste texto existe para produzir um insumo previsível. A decisão de quanto cada pessoa recebe continua passando por julgamento — de preferência numa reunião de calibração com protocolo, não na planilha de alguém.
Bônus por metas e OKR: o que a pesquisa mede
A pergunta "devemos ligar OKR a bônus?" tem duas respostas fortes e opostas circulando. O material do próprio método é contra: o guia de OKR do Google (re:Work) diz que "OKRs não são sinônimo de avaliação de funcionários" e que a nota ideal de um OKR fica entre 60% e 70%; o site What Matters, de John Doerr, publicou em 2026 um artigo cujo título termina em "Spoiler alert: no". A prática vai para o outro lado: na pesquisa de remuneração variável da WorldatWork com a Compensation Advisory Partners, divulgada em 6 de outubro de 2026 (580 organizações, campo de maio a junho de 2026), incentivo de curto prazo é oferecido por 98% das empresas de capital aberto e 93% das de capital fechado. No Brasil, o Guia Salarial 2026 da Robert Half (500 gestores de contratação e 1.000 profissionais) registra que metade dos profissionais diz receber bônus de performance.
Ou seja: incentivo de curto prazo é quase universal na amostra da WorldatWork e chega a metade dos profissionais no Brasil — bônus por metas já existe, com ou sem a palavra OKR. A pesquisa abaixo não decide se deve; ela mostra onde uma regra de bônus por meta quebra — e é isso que a política precisa cobrir.
2004 · experimento · 154 participantes
Quem fica perto da meta é quem mais exagera o resultado
Mediu. Schweitzer, Ordóñez e Douma (Academy of Management Journal) pediram a universitários que formassem palavras em sete rodadas, com meta no percentil 90 de desempenho, e cada um informava a própria produção.
Achou. Declararam mais do que fizeram, ao menos uma vez, 10,5% de quem só devia "fazer o melhor", 22,7% de quem tinha meta e 30,2% de quem tinha meta com dinheiro. O exagero se concentrou em quem ficou a uma palavra da meta: nessas rodadas, 14,8%, 34,5% e 48,5%. A diferença entre meta com e sem dinheiro não foi estatisticamente significativa: o efeito já aparece com a meta sozinha.
Pede da regra: mais escrutínio no último check-in de quem fechou logo acima do piso (o "cruzamento tardio" da seção de auditoria).
2014 · dados de uma empresa de software
Quem é pago por trimestre escolhe o trimestre em que fecha
Mediu. Larkin (Journal of Labor Economics) acompanhou vendedores de software corporativo com plano de comissão não linear.
Achou. Os vendedores mexem no momento de fechar o negócio e aceitam preço bem menor no trimestre em que há incentivo para fechar; o preço errado custou à empresa de 6% a 8% da receita. Oyer (Quarterly Journal of Economics, 1998) já tinha mostrado o mesmo desenho na escala da indústria: vendas mais altas no fim do ano fiscal e mais baixas no começo.
Pede da regra: olhar o começo do ciclo seguinte, que é onde o resultado "puxado" para o ciclo do bônus aparece.
1998 e 2014 · duas meta-análises
Dinheiro move a quantidade; a qualidade depende do desenho
Mediu. Jenkins, Mitra, Gupta e Shaw (Journal of Applied Psychology, 39 estudos) e Garbers e Konradt (Journal of Occupational and Organizational Psychology, 146 estudos, 31.861 pessoas).
Achou. Na primeira, incentivo financeiro teve correlação corrigida de 0,34 com quantidade e nenhuma relação com qualidade. Na segunda, o efeito do incentivo individual foi positivo (g = 0,32), o do incentivo por equipe foi maior (g = 0,45), e o efeito foi maior em medidas de qualidade do que de quantidade. As duas não concordam sobre qualidade; o texto não as soma.
Pede da regra: pelo menos um KR de qualidade em cada objetivo que paga, e uma parte do bônus ligada ao resultado do time.
2016 · guia do método · Google re:Work
A meta aspiracional "boa" fica abaixo de um piso de 80%
Diz. O guia de OKR do Google afirma que a nota ideal de um OKR fica entre 60% e 70% e que quem atinge tudo, sempre, não está sendo ambicioso o bastante.
A conta. Com piso de 80% em cada KR, um key result aspiracional que fechou em 70% — o "ponto ideal" do método — conta zero no bônus.
Pede da regra: separar meta de compromisso de meta aspiracional antes do ciclo, e só a primeira com degrau no piso (decisão 2).
Como os planos de bônus anual desenham a curva
Planos de bônus anual de executivos são a fonte mais pública de desenho de curva, e servem de régua — com a ressalva de que medem a empresa inteira (lucro, receita), não o key result de uma pessoa. Três levantamentos publicados no fórum de governança corporativa da Faculdade de Direito de Harvard:
| Levantamento | Amostra | O que mostra |
|---|---|---|
| CAP, abr/2024 | 120 grandes empresas abertas dos EUA, 2013–2022 | No piso, o executivo recebe mais comumente 50% do bônus-alvo; no máximo, 200%. Chance de atingir ao menos o piso: 95%; o alvo: 70%; o máximo: 5%. |
| FW Cook, out/2024 | 250 maiores empresas do S&P 500 | Pagamento máximo de 200% do alvo em cerca de 70% delas; piso que paga 0% subiu desde 2019 e chegou a 37% das empresas em 2024. Na meta de lucro, o piso mediano fica 10% abaixo do alvo. |
| Equilar, out/2025 | ~404 planos por fórmula, ano fiscal 2024 | Piso mediano, como % do alvo: receita 95%, lucro operacional 88,9%, lucro por ação 90,1%, fluxo de caixa livre 80%. |
Duas leituras para quem desenha bônus por OKR. Primeira: nesses planos, o piso costuma pagar metade do bônus-alvo, não o próprio atingimento — a curva tem um degrau menor e uma rampa mais íngreme até o alvo. A regra deste texto, em que o KR no piso conta 80%, é mais generosa no piso e mais plana depois. Segunda: com 95% de chance de passar o piso, o piso desses planos quase nunca morde. Num OKR, em que o piso é aplicado em cada key result, a chance de pelo menos um KR ficar abaixo é muito maior — como no exemplo a seguir, montado para mostrar isso.
Exemplo resolvido: uma pessoa, dois objetivos, cinco key results
O exemplo abaixo é ilustrativo e foi montado para ter números redondos. Bruna coordena o atendimento de uma empresa de software. No trimestre, ela é dona de dois objetivos: o A pesa 60 na média dela e o B pesa 40. A regra da empresa é uma combinação simples de explicar — e o padrão da Spire: piso de 80% e teto de 120%, aplicados em cada key result.
Todos os números da tabela saem da regra em uma linha do início do texto; as contas estão escritas na última coluna.
| KR | Tipo | Base → meta | Atual | Real | Conta | A conta |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Objetivo A · peso 60 · Clientes resolvem o problema no primeiro contato | ||||||
| A1 · resolução no 1º contato (%) | crescente | 62 → 75 | 72 | 76,9% | 0% | (72 − 62) ÷ (75 − 62) = 10 ÷ 13; abaixo de 80 |
| A2 · 1ª resposta (horas) | decrescente | 9 → 4 | 3 | 120% | 120% | (9 − 3) ÷ (9 − 4) = 6 ÷ 5; exatamente no teto |
| A3 · satisfação (CSAT, 1 a 5) | crescente | 4,1 → 4,5 | 4,4 | 75% | 0% | 0,3 ÷ 0,4; abaixo de 80 |
| Objetivo B · peso 40 · Base de conhecimento que se sustenta | ||||||
| B4 · artigos revisados com nota ≥ 4 dos leitores | crescente | 0 → 40 | 34 | 85% | 85% | 34 ÷ 40 |
| B5 · fila em até 2 dias (manter) | decrescente | 2 → 2 | 1,8 | 100% | 100% | meta igual à base: 100% enquanto o atual atinge a meta no sentido do KR (≤ 2 dias) |
Agora as três maneiras de juntar esses cinco números. A diferença entre elas não é de arredondamento:
-
Sem bandas
92%
Objetivo A: média de 76,9, 120 e 75 = 91%. Objetivo B: média de 85 e 100 = 93%. Pessoa: 0,6 × 91 + 0,4 × 93 = 91,8 → 92%.
-
Piso no objetivo
92%
Os dois objetivos ficam acima de 80 e abaixo de 120, então nada é cortado: 92%. A regra existe, mas não morde.
-
Piso em cada KR
61%
A1 e A3 viram zero. Objetivo A: (0 + 120 + 0) ÷ 3 = 40%. Objetivo B: 93%. Pessoa: 0,6 × 40 + 0,4 × 93 = 61,2 → 61%.
O mesmo trimestre, a mesma pessoa, a mesma linha da política — e 31 pontos de diferença dependendo de uma palavra que a política costuma não escrever. Nenhuma das três é errada. O piso por KR é o mais exigente, porque não deixa um KR muito bom esconder dois que não chegaram; o piso por objetivo é o mais tolerante; e "sem bandas" é o progresso de sempre. O erro é a empresa descobrir qual delas usa só quando alguém reclama.
Dois centésimos de ponto
Volte à tabela e olhe para A3. Para a satisfação passar o piso, o atual precisa ir de 4,40 para 4,42: 4,1 + 0,8 × 0,4. Com isso, A3 passa a contar 80, o objetivo A vai a (0 + 120 + 80) ÷ 3 = 67% e o resultado para bônus de Bruna vai de 61% para 77% — 16 pontos por dois centésimos de uma nota de 1 a 5. Se A1 também andar de 72 para 72,4 (o piso dele), o resultado vai a 93%. O progresso real, enquanto isso, passa de 92% para 93%.
É isso que a curva desenha. Uma regra de piso concentra todo o valor do trimestre em poucas casas decimais perto da fronteira, e é exatamente ali que uma pesquisa de satisfação reenviada, um chamado reclassificado ou uma data de check-in escolhida a dedo fazem diferença. Nada disso exige má-fé declarada; basta que a pessoa saiba onde está a quina.
Calculadora do resultado para bônus
A calculadora usa a mesma regra do exemplo e já vem preenchida com os números de Bruna. Troque o piso, o teto, os pesos e os key results pelos seus. Ela mostra, para cada KR, o que ele conta, quanto falta para cruzar o piso na unidade do próprio KR e o que acontece com o resultado se os KRs da zona de pressão — os dez pontos logo abaixo do piso — cruzarem.
Quanto este trimestre vale no bônus?
Números com vírgula ou ponto. Linhas com objetivo "—" ficam de fora. A conta roda só no seu navegador; nada é enviado.
| KR | Real | Conta no bônus | Situação | O que muda o resultado |
|---|---|---|---|---|
| A1 | 76,9% | 0% | abaixo do piso · zona de pressão | atual 72,4 cruza o piso |
| A2 | 120% | 120% | dentro da faixa | — |
| A3 | 75% | 0% | abaixo do piso · zona de pressão | atual 4,42 cruza o piso |
| B4 | 85% | 85% | dentro da faixa | — |
| B5 | 100% | 100% | dentro da faixa | — |
- Progresso real92%
- Resultado para bônus (piso por KR)61%
- Se o piso valesse por objetivo92%
- Se os KRs da zona de pressão cruzassem o piso93%
2 KRs estão nos 10 pontos logo abaixo do piso. Se eles cruzarem, o resultado para bônus vai de 61% para 93% (+32 pontos); o progresso real vai de 92% para 93%. É nessa diferença que a pressão se concentra.
Três leituras para fazer com o resultado. Se o número da linha "Se os KRs da zona de pressão cruzassem o piso" está muito acima do resultado atual, a regra concentrou o trimestre em poucas casas decimais — reveja onde o piso é aplicado ou troque o degrau por uma rampa (decisão 2, abaixo). Se um KR aparece "acima do teto", o excedente não vale nada no bônus, e a pergunta é se a meta era baixa demais ou se o teto é. E se "Se o piso valesse por objetivo" é igual ao progresso real, a sua regra por objetivo é decorativa: ela só morde num trimestre ruim.
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O bônus só é justo se o check-in é
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Seis decisões para escrever na política antes do ciclo
Cada decisão abaixo tem duas saídas razoáveis e um custo em cada uma. O padrão sugerido é um ponto de partida, não uma recomendação universal; o que não pode acontecer é a decisão ficar implícita.
1
Onde o piso morde: no KR, no objetivo ou na pessoa
Padrão sugerido: no KR, quando os key results do objetivo são independentes e cada um tem dono claro; no objetivo, quando os KRs são facetas do mesmo resultado.
Custo de cada saída. No KR, um resultado ruim não se esconde atrás de um ótimo — e a pressão perto do piso se multiplica pelo número de KRs. No objetivo, a pressão cai, mas um KR abandonado passa despercebido. No exemplo, a escolha vale 31 pontos.
2
Degrau ou rampa no piso
Padrão sugerido: degrau só se a meta for de compromisso (precisa acontecer); rampa — por exemplo, de 50% a 80% contando proporcionalmente — se a meta for aspiracional.
Custo de cada saída. O degrau é fácil de explicar e cria o salto de 0 a 80 da figura de abertura. A rampa tira o salto e espalha o incentivo, mas é uma conta a mais para cada pessoa entender e para cada gestor explicar.
3
A altura do teto
Padrão sugerido: um teto que a empresa consegue pagar se todo mundo bater nele, escrito junto com a pergunta "o excedente acima do teto ainda é bom para o negócio?".
Custo de cada saída. Teto baixo protege o orçamento e ensina o time a guardar resultado para o trimestre seguinte. Teto alto premia o trimestre excepcional e paga caro por uma meta mal calibrada. No exemplo, A2 bateu exatamente 120%; uma hora a menos de resposta não mudaria nada no bônus.
4
Quem escreve o "atual"
Padrão sugerido: o número que vira dinheiro vem de uma fonte que a pessoa medida não edita (relatório do sistema, área de dados) ou, no mínimo, de um check-in com evidência no comentário e revisado por outra pessoa no check-in de OKR da última semana do ciclo.
Custo de cada saída. Separar quem mede de quem recebe custa trabalho de alguém em todo check-in. Não separar custa a confiança no número exatamente no trimestre em que ele mais importa.
5
Quando a meta tranca
Padrão sugerido: linha de base, meta, piso e teto congelados até a segunda semana do ciclo; mudança depois disso só com registro de quem pediu, quem aprovou e por quê.
Custo de cada saída. Trancar cedo pune quem estimou mal uma meta nova. Deixar aberto transforma a última semana do ciclo em renegociação de meta, que é o jeito mais barato de bater qualquer piso.
6
O que fazer com KR de "manter"
Padrão sugerido: um KR de manutenção ("fila em até 2 dias") entra no bônus só se perder a meta for um risco real no trimestre; senão, ele vira indicador de saúde, não OKR.
Custo de cada saída. Um KR com meta igual à linha de base vale 100% ou 0%, sem meio-termo, e nasce valendo 100%: o atual começa na linha de base, que já é a meta, antes de qualquer check-in. No exemplo, B5 sustenta metade do objetivo B. Tirá-lo do bônus deixa o objetivo mais sensível aos outros KRs; mantê-lo paga por um número que talvez já estivesse garantido.
Como a Spire calcula o resultado para bônus
Novo Disponível desde 28 de setembro de 2026, com ajustes de 6 de outubro.
O módulo de OKR da Spire ganhou uma chave chamada "OKRs — Resultado para bônus", que aplica exatamente a regra deste texto, com o piso em cada key result. Ela vem desligada; quem administra a empresa liga em Configurações, na lista de funcionalidades, desde que o módulo de OKRs esteja ativo. O que muda quando ela está ligada:
- As bandas ficam em um lugar só. Logo abaixo da chave aparece "Bandas de atingimento", com Piso (gatilho) e Teto — padrão 80% e 120% — e uma prévia de exemplos. A tela recusa piso maior ou igual ao teto, piso negativo e teto acima de 1000%. Salvar exige a mesma permissão da tela de funcionalidades e grava quem alterou e quando.
- A vigência congela a data. Em Vigência, a empresa escolhe "Todos os ciclos" ou "A partir do ciclo…". A data de início daquele ciclo fica gravada no momento em que as bandas são salvas: mudar a data do ciclo depois, ou excluí-lo, não estende a regra para trás. Ciclos anteriores continuam com o resultado sem bandas.
- O progresso não muda. Toda tela de OKR continua mostrando o atingimento real. O resultado para bônus é um número a mais, ao lado do progresso, quando os objetivos são agrupados por departamento ou por responsável — inclusive nos objetivos cujo dono é um departamento ou a empresa inteira.
- O cálculo abre inteiro. Um clique no número abre "Ver cálculo do resultado para bônus": cada objetivo com o real, o que conta e a participação na média; embaixo, cada key result com o real e o que ele conta.
- O KR fora da faixa ganha um aviso. Na lista de key results, o que está abaixo do piso mostra "Bônus: conta 0% (abaixo de 80%)" e o que passou do teto mostra "Bônus: conta 120% (teto)".
- O atual vem só do check-in. Desde 6 de outubro, o valor atual de um KR nasce na linha de base e só se move por check-in (antes do primeiro, acompanha a linha de base); o formulário do KR mostra "Atual" como somente leitura. Um KR com meta igual à linha de base conta 100% enquanto o atual atinge a meta no sentido do KR e 0% quando um check-in passa para o outro lado — e o formulário pede confirmação antes de salvar um assim.
Ver cálculo do resultado para bônus
Membro: Bruna
Bandas de atingimento ativas: key result abaixo de 80% conta 0%; acima de 120% conta 120%. Depois, cada objetivo entra com a mesma participação do progresso.
Progresso ponderado (real)92%
Resultado para bônus61%
O progresso exibido nos OKRs continua sendo o real; as bandas só mudam o resultado para bônus.
O item 6 é o que faz a regra aguentar o peso do dinheiro. Antes, o "atual" de um KR podia ser digitado à mão no formulário; agora, a partir do primeiro check-in, cada movimento do número é um check-in com data, valor e comentário, exportável em CSV na tela do key result. E só o autor de um check-in, ou quem administra os OKRs, pode editá-lo ou apagá-lo.
| Não faz | Por isso | No lugar |
|---|---|---|
| Não converte o resultado em reais | O número é um insumo: alvo de bônus, orçamento e aprovação ficam fora | Leve o resultado para a reunião de bônus e registre a decisão lá |
| Não oferece rampa nem piso por objetivo | A regra é uma só: degrau no piso, aplicado em cada KR | Se a política for outra, use a calculadora deste texto para a conta paralela |
| Não separa quem mede de quem recebe | Quem é dono do KR registra o check-in do próprio KR | Revisão do check-in de fechamento por outra pessoa, com evidência no comentário |
| Não guarda a versão anterior de um check-in editado | A edição sobrescreve o valor; a data do check-in é escolhida por quem registra | Corrija com um check-in novo e comentário, em vez de editar o antigo |
| Não tranca a meta do KR | O dono do KR — a pessoa medida —, o dono do objetivo, o gestor do departamento e quem administra os OKRs podem mudar linha de base e meta durante o ciclo | Escreva a data de trava na política e confira as metas no fechamento |
| Não guarda as bandas de cada ciclo | As bandas são uma configuração só por empresa: mudar o piso recalcula todos os ciclos dentro da vigência, inclusive os já fechados | Registre o resultado de cada pessoa no fechamento, antes de mexer nas bandas |
| Não põe o objetivo do time no resultado da pessoa | Agrupando por responsável, objetivos cujo dono é um departamento ou a empresa formam um grupo próprio | Some a parte de equipe à parte individual na política, com peso escrito |
| Não esconde o resultado para bônus de quem vê os OKRs | Quem enxerga os OKRs agrupados por responsável enxerga o número de cada um | Decida antes se o resultado é público; se não for, deixe a funcionalidade desligada e faça a conta fora |
| Não identifica o anel do bônus no celular | Em tela estreita os rótulos somem e ficam dois anéis lado a lado | Toque no anel (o título do painel diz qual é) ou use o modo apresentação |
Demonstração · 20 minutos
Os seus objetivos de pé numa call
Na demonstração, as metas que você já tem viram objetivos e key results das suas áreas, digitados dentro do produto enquanto você assiste. A conversa comercial fica para os minutos finais — e, se não for o momento, você sai com o ciclo montado do mesmo jeito.
Três números para auditar a regra no fim do ciclo
Uma regra de bônus se audita olhando para a distribuição dos resultados, não para uma pessoa. Os três números abaixo usam o atingimento real de cada key result no fechamento (coluna C de uma planilha com um KR por linha, em número: 80 = 80%) e a história de check-ins de cada um. Eles não provam manipulação; mostram onde olhar.
| Indicador | Fórmula (planilha em pt-BR) | Como ler |
|---|---|---|
| Amontoado no piso KRs logo acima do piso ÷ KRs logo abaixo | =SEERRO(CONT.SES(C:C;">=80";C:C;"<90")/CONT.SES(C:C;">=70";C:C;"<80");"") | Compare com o mesmo número do ciclo anterior às bandas. Se a razão saltou depois que o bônus passou a existir, os resultados estão se amontoando logo acima da quina. |
| Acima do teto % dos KRs acima do teto | =CONT.SE(C:C;">120")/CONT.NÚM(C:C) | Uma fatia grande de KRs acima do teto diz mais sobre as metas do que sobre as pessoas: ou as metas eram baixas, ou o teto é. Leia junto com a decisão 3. |
| Cruzamento tardio KRs que passaram o piso no último check-in, nos 14 dias finais | =CONT.SES(D:D;"sim";E:E;">="&DATA(2026;12;18))/CONT.SE(C:C;">=80") | D marca "sim" quando o penúltimo check-in estava abaixo do piso e o último acima; E é a data desse último check-in (ciclo encerrando em 31/12: os 14 dias finais começam em 18/12). Alto, pede uma olhada nas evidências desses check-ins. |
Os três números se leem juntos e de um ciclo para o outro. O amontoado precisa de um ciclo de comparação, e a vigência das bandas serve exatamente para isso: os ciclos anteriores à data escolhida continuam contando sem bandas, então a empresa tem a distribuição de "antes" sem precisar refazer nada. O cruzamento tardio depende da data do check-in, que é escolhida por quem registra: um check-in datado para trás escapa da janela, e a hora real em que ele foi gravado não aparece na tela nem no CSV. Trate o número como sinal para conversar, nunca como acusação.
Casos-limite: o que a regra faz em cada um
Dez situações que aparecem no primeiro fechamento e raramente estão escritas na política. A coluna do meio descreve o que a regra deste texto faz — e o que a Spire faz, porque é a mesma regra. A da direita é a decisão que fica com a empresa.
| Caso | O que a regra faz | O que decidir na política |
|---|---|---|
| KR exatamente no piso (80%) | Conta 80%. O piso é "maior ou igual". | Escrever o "igual" na política, para ninguém discutir a quina. |
| KR em 79,9% | Conta 0%. | Se o degrau é aceitável ou se a meta pede rampa (decisão 2). |
| KR em 150% com teto de 120% | Conta 120%. O progresso real continua mostrando 150%. | Se o excedente vira outra coisa: reconhecimento, meta do ciclo seguinte. |
| Meta igual à linha de base ("manter") | 100% enquanto o atual atinge a meta no sentido do KR; 0% quando passa para o outro lado. Sem meio-termo — e, como o atual nasce na linha de base, nasce em 100%. | Se KR de manutenção entra no bônus (decisão 6). |
| Meta 0 | Com linha de base 0, ou num KR absoluto, nunca conta como atingida, e o formulário avisa. Num decrescente que parte de um valor acima de zero ("zerar incidentes"), funciona normalmente. | Nos dois primeiros casos, reescrever o KR com a meta de verdade. |
| KR crescente com meta abaixo da linha de base | Aproximar-se da meta não conta como progresso; o formulário avisa. | Trocar o tipo para decrescente. |
| Objetivo sem key results | Conta 0% e entra na média. | Se um objetivo vazio no fechamento é erro de cadastro ou resultado. |
| Um objetivo com peso e outro sem | O sem peso fica fora da média da pessoa. Se todos estiverem sem peso, contam igual. | Pesos obrigatórios para quem tem bônus por OKR. |
| Último check-in apagado | O atual volta para o check-in anterior; sem nenhum, volta para a linha de base. | Quem pode apagar check-in na semana de fechamento. |
| Ciclo que começou antes da vigência | Conta o resultado real, sem bandas. Se nenhum objetivo do grupo estiver na vigência, o resultado para bônus nem aparece. | A data de vigência, escolhida antes de o ciclo do bônus começar. |
Perguntas frequentes sobre bônus por OKR
Bônus por OKR funciona?
Funciona para produzir esforço na direção do número, que é o que a pesquisa sobre metas mostra com consistência. O risco é o mesmo mecanismo: o esforço vai para o número, inclusive quando o número deixa de representar o resultado. Por isso a regra precisa de piso e teto escritos, de quem mede separado de quem recebe e de uma decisão final com julgamento, como a calibração.
Qual o piso e o teto mais usados?
Para a regra deste texto, 80% e 120% por key result são o padrão da Spire e um ponto de partida razoável. Em planos de bônus anual de executivos de grandes empresas dos EUA, o piso mediano da meta de lucro fica cerca de 10% abaixo do alvo e o pagamento máximo mais comum é 200% do bônus-alvo (FW Cook, 2024) — mas ali o piso paga uma fração do bônus, não o atingimento. Não existe faixa certa: o piso precisa ser alto o bastante para não pagar trimestre ruim e o teto, baixo o bastante para a empresa conseguir pagar se todo mundo bater nele.
O piso deve ser aplicado em cada KR ou no objetivo?
Em cada KR, quando os key results são independentes e têm donos diferentes; no objetivo, quando são facetas do mesmo resultado. No exemplo deste texto, a escolha leva o mesmo trimestre de 92% para 61%.
Como evitar que o time escreva metas fáceis?
Separando a meta de quem a cumpre: a linha de base e a meta são revistas por outra pessoa antes de trancar, e o número "teto atingido" do fim do ciclo é discutido abertamente. Metas aspiracionais, que medem ambição, ficam fora do bônus ou entram com rampa. O guia de OKR na prática explica a diferença entre os dois tipos de meta.
O resultado para bônus substitui a avaliação de desempenho?
Não. Ele mede o que a pessoa entregou contra metas; a avaliação de desempenho mede como ela trabalhou e o que precisa desenvolver, com uma escala de níveis escrita. Ligar bônus aos dois é comum; somar os dois sem pesos escritos é a origem de boa parte das brigas de fim de ano.
E o aumento salarial, entra na mesma conta?
Não deveria. Bônus paga um período e acaba; aumento entra no salário e se repete todo mês. O ciclo de aumento por mérito tem orçamento, matriz e reconciliação próprios, e conversa com a faixa salarial do cargo, não com o trimestre.
Fontes
- Schweitzer, M. E.; Ordóñez, L.; Douma, B. (2004). Goal setting as a motivator of unethical behavior. Academy of Management Journal, 47(3), 422–432. Experimento com 154 universitários; texto completo lido no PDF hospedado pela Wharton.
- Ordóñez, L.; Schweitzer, M.; Galinsky, A.; Bazerman, M. (2009). Goals gone wild. Harvard Business School Working Paper 09-083 (versão publicada em Academy of Management Perspectives). Usado como enquadramento, sem número.
- Larkin, I. (2014). The cost of high-powered incentives: employee gaming in enterprise software sales. Journal of Labor Economics, 32(2), 199–227. Resumo: custo de 6% a 8% da receita.
- Oyer, P. (1998). Fiscal year ends and nonlinear incentive contracts. Quarterly Journal of Economics, 113(1), 149–185. Resumo.
- Jenkins, G. D.; Mitra, A.; Gupta, N.; Shaw, J. D. (1998). Journal of Applied Psychology, 83(5), 777–787. Meta-análise de 39 estudos. Garbers, Y.; Konradt, U. (2014). Journal of Occupational and Organizational Psychology, 87(1), 102–137. Meta-análise de 146 estudos (n = 31.861). Resumos; as duas divergem sobre qualidade.
- Google re:Work. "Set goals with OKRs" (publicado originalmente em 2016): "OKRs are not synonymous with employee evaluations"; "The sweet spot for an OKR grade is 60% – 70%". What Matters, "Should You Connect OKRs and Compensation? (Spoiler Alert: No)", 2026.
- WorldatWork e Compensation Advisory Partners. Incentive Pay Practices, comunicado de 06/10/2026: 580 organizações, campo de maio a junho de 2026; incentivo de curto prazo em 98% das abertas e 93% das fechadas.
- Robert Half Brasil. Guia Salarial 2026, página de benefícios: 500 gestores de contratação e 1.000 profissionais; "Metade dos profissionais brasileiros afirma receber bônus de performance".
- Harvard Law School Forum on Corporate Governance. CAP, "Annual incentive plans: payouts and performance alignment" (17/04/2024; 120 empresas, 2013–2022); FW Cook, "2024 Top 250 Annual Incentive Plan Report" (05/10/2024); Equilar, "Annual incentive plan design and trends" (14/10/2025; planos do ano fiscal 2024). Todos sobre executivos de grandes empresas dos EUA.
- Produto: código do módulo de OKR da Spire (regra das bandas espelhada no navegador e no servidor, com os mesmos casos de teste), funcionalidade "OKRs — Resultado para bônus" (28/09/2026) e "valor atual do KR só por check-in" (06/10/2026). Conferido em 09/10/2026.
- Exemplo de Bruna: ilustrativo, montado para este texto; todas as contas foram executadas com a mesma regra da calculadora.


