Escolha alguém do seu time de RH que usa IA todo dia. Peça para essa pessoa abrir o histórico de conversas do mês e contar quantas vezes ela pediu à IA para escrever uma descrição de cargo, resumir respostas abertas de uma pesquisa ou comparar dois currículos contra os mesmos critérios. O número costuma passar de vinte. Agora faça a segunda pergunta, que é a difícil: quantos desses pedidos existem hoje em algum lugar que outra pessoa consiga abrir?
A resposta quase sempre é zero. E é essa resposta que este texto vai propor como explicação para o número mais incômodo da pesquisa mais recente sobre IA no RH — não a adoção, não o medo, não o orçamento.
Exemplo ilustrativo · um mês de trabalho de uma pessoa de RH que usa IA
O que foi digitadopedidos feitos a uma IA, em janelas de conversa
23 pedidos
O que ficou para a equipearquivos que outra pessoa consegue abrir, rodar e corrigir
0 arquivos
Os dois números são inventados para a ilustração; o que não é inventado é a assimetria. O trabalho aconteceu. O ativo, não. No mês seguinte a mesma pessoa vai reescrever os mesmos vinte e três pedidos, com palavras um pouco diferentes, e vai obter resultados um pouco diferentes — sem nenhuma maneira de saber se melhorou ou piorou.
Este texto é sobre o arquivo que falta na segunda faixa. Ele se chama skill, costuma caber em algumas dezenas de linhas, é escrito em texto puro e é lido hoje pelos agentes de IA mais usados — Claude e Claude Code, ChatGPT e Codex, GitHub Copilot, Cursor, VS Code, Gemini CLI e várias dezenas de outros. Você vai encontrar aqui a anatomia do arquivo campo a campo, as sete regras que separam uma skill de RH que funciona de um prompt comprido salvo no bloco de notas, três skills de RH escritas por inteiro e prontas para copiar, o teste de doze casos que responde se a sua presta, e — no fim — uma skill que revisa as outras.
O que a IA já faz no RH, e o que ninguém consegue dizer sobre ela
A SHRM publicou em 3 de abril de 2026 o relatório The State of AI in HR 2026, construído sobre a resposta de mais de 1.900 profissionais de RH. Ele traz duas leituras que, postas lado a lado, formam o problema inteiro.
A primeira leitura é otimista e é a que circula. Entre quem adotou, 87% relatam ganho de eficiência, 75% relatam ganho de qualidade do trabalho e 70% relatam mais criatividade. A adoção ainda é minoritária — 39% implementaram IA em alguma função de RH, contra 62% que a usam em algum lugar do negócio —, e está concentrada em poucos lugares: recrutamento (27%), tecnologia de RH (21%), treinamento e desenvolvimento (17%) e experiência do colaborador (14%).
A segunda leitura é a que ninguém repete. 56% das áreas de RH não medem formalmente o sucesso dos seus investimentos em IA, e apenas 16% usam retorno sobre investimento como métrica. Ponha as duas leituras lado a lado — cuidando para não somá-las, porque a primeira fala de quem adotou e a segunda das áreas de RH em geral — e o desconforto aparece sozinho: o ganho é relatado com muito mais frequência do que é apurado.
Antes de chamar isso de descuido, repare no que estaria sendo medido. Medir exige uma unidade que se repita. O trabalho de IA no RH, hoje, é quase todo feito dentro de uma janela de conversa: uma pessoa descreve o que quer, ajusta duas ou três vezes, copia o resultado e fecha a aba. Não existe um "isso" para medir duas vezes. Não há versão anterior para comparar, não há entrada idêntica para repetir, não há dono a quem perguntar por que mudou. A hipótese deste texto é que o problema não é de indicador — é de artefato. A pesquisa mede que não se mede; ela não mede o porquê, e há explicações concorrentes plausíveis: o ganho é difuso, ninguém pediu a conta, ou a linha de base anterior à IA nunca foi registrada. Repare que a terceira também é falta de artefato.
Esse diagnóstico deveria soar familiar para quem trabalha com processos de gente. É o mesmo formato de problema que a entrevista estruturada resolve quando substitui a conversa livre por um roteiro e uma régua, e o mesmo que a calibração resolve quando tira a nota da cabeça de um avaliador e a põe numa mesa com critério escrito. Nos dois casos a correção não foi pedir mais empenho: foi transformar um julgamento em um instrumento. Com IA, o instrumento tem nome, formato e um padrão aberto — e quase ninguém no RH ainda o usa.
Prompt é evento. Skill é objeto.
A confusão mais cara desse assunto é achar que uma skill é "um prompt bem escrito, salvo". A diferença não está na qualidade do texto, está no estatuto da coisa: um prompt é um evento que acontece e passa; uma skill é um objeto que existe entre um uso e outro. Cinco diferenças, todas com consequência operacional:
| Dimensão | Prompt na conversa | Skill como arquivo |
|---|---|---|
| Onde vive | No histórico de uma pessoa, numa ferramenta | Numa pasta, junto do resto do processo |
| Quem é o dono | Quem digitou, enquanto lembrar | Quem está escrito no arquivo |
| Quando muda | Muda sem aviso e sem registro | A mudança aparece como diferença entre duas versões |
| Duas execuções | Nunca são a mesma entrada | Mesma entrada, mesmas instruções, resultados comparáveis |
| O que a auditoria vê | Um resultado sem origem | O texto exato que produziu aquele resultado, na data em que produziu |
A linha que muda o jogo é a quarta. Duas execuções comparáveis é o que transforma "achamos que ajudou" em um número — e não exige ferramenta nova, só que o pedido pare de ser digitado e passe a ser lido de um arquivo.
A anatomia de uma skill: uma pasta, um arquivo, dois campos obrigatórios
O formato se chama Agent Skills. Ele nasceu na Anthropic e foi publicado como padrão aberto, com a especificação e a lista de clientes compatíveis em agentskills.io. Na prática isso significa que a mesma pasta funciona no Claude e no Claude Code, no ChatGPT e no Codex, no GitHub Copilot, no VS Code, no Cursor, no Gemini CLI e em várias dezenas de outros agentes — você escreve uma vez e não fica preso a um fornecedor. Para uma área de RH que ainda vai trocar de ferramenta duas ou três vezes nos próximos anos, essa portabilidade vale mais do que qualquer recurso específico.
A estrutura é deliberadamente pobre, e a pobreza é a virtude:
triagem-de-curriculo/
├── SKILL.md obrigatório metadados + instruções
├── references/ opcional o scorecard da vaga, a régua de notas
├── assets/ opcional modelos de saída, tabelas de apoio
└── scripts/ opcional código que o agente pode executar
Uma skill válida pode ser só o SKILL.md. As três pastas existem para tirar peso do arquivo principal: o agente só as abre quando precisa.
O SKILL.md é um arquivo de texto com duas partes. No topo, entre duas linhas de três traços, vem o frontmatter — os metadados, escritos em YAML. Abaixo, a instrução em Markdown, que é prosa comum com títulos e listas. Dois campos são obrigatórios. Dos outros quatro, só um — metadata — costuma valer a pena numa skill de RH, pelo motivo que a regra 7 explica.
| Campo | Obrigatório | Restrição | O que isso quer dizer na prática |
|---|---|---|---|
name | sim | até 64 caracteres; só letras minúsculas, números e hífen; não começa nem termina com hífen; sem hífen duplo; igual ao nome da pasta | É o identificador. triagem-de-curriculo vale; Triagem de Currículo não. |
description | sim | até 1.024 caracteres; não pode ser vazia; descreve o que a skill faz e quando usá-la | É o campo mais importante do arquivo, e o bloco logo abaixo da tabela explica por quê. |
license | não | nome da licença ou de um arquivo de licença incluído | Útil se a skill vai sair da empresa. Dentro de casa, dispensável. |
compatibility | não | até 500 caracteres | Só para skill que exige algo do ambiente (acesso à internet, um programa instalado). A maioria não precisa. |
metadata | não | pares de chave e valor, ambos texto | Onde cabem dono, versao e revisado-em — que é como uma skill de RH ganha responsável e data. |
allowed-tools | não | lista de ferramentas pré-aprovadas, separadas por espaço; experimental | O suporte varia entre agentes. Não construa nada que dependa dele. |
Por que a description é o campo que decide tudo
Aqui está o detalhe de funcionamento que muda a forma de escrever, e que quase todo mundo descobre tarde: o agente não lê as suas skills quando começa a trabalhar. Ele carrega em três estágios, na medida em que a tarefa exige:
-
No início da conversa
1. Descoberta
O agente lê apenas
nameedescriptionde todas as skills que você tem. É com isso, e só com isso, que ele decide se a sua skill tem algo a ver com o pedido. -
Quando a tarefa casa com a descrição
2. Ativação
Aí sim o corpo inteiro do
SKILL.mdentra. A recomendação da especificação é manter esse corpo abaixo de 5.000 tokens e o arquivo abaixo de 500 linhas. -
Só se a instrução mandar
3. Execução
Os arquivos de
references/,assets/escripts/são abertos um a um, conforme a instrução manda abrir. O scorecard de uma vaga específica mora aqui.
A consequência é direta e pouca gente escreve pensando nela: a description não é um resumo, é um roteador. Ela é a única coisa que o agente vê antes de decidir, e ela concorre com todas as outras descrições ao mesmo tempo. "Ajuda com currículos" perde. "Pontua um currículo contra o scorecard publicado de uma vaga, critério por critério, e devolve evidência textual de cada nota. Use quando a pessoa mencionar triagem, currículo, CV, scorecard ou comparação de candidatos" ganha — porque carrega as palavras que a pessoa vai usar.
A regra prática: a descrição tem duas metades, o que a skill faz e quando acioná-la, e a segunda existe para conter os termos do seu dia a dia, inclusive os sinônimos que só a sua empresa usa. Se o time chama o scorecard de "grade", ponha "grade" ali.
As sete regras que fazem uma skill de RH funcionar
O formato é fácil. O que separa uma skill útil de um prompt comprido com título é o que vai no corpo — e no RH essas escolhas pesam mais do que em outras áreas, porque aqui o resultado errado não é um texto feio: é uma afirmação falsa sobre uma pessoa real, escrita com confiança, dentro de um processo que decide carreira. As três primeiras regras abaixo são específicas de gente; as quatro seguintes valem para qualquer domínio, mas custam mais caro quando ignoradas aqui.
-
1 A skill prepara a decisão. Ela não decide.
Escreva isso no arquivo, literalmente, em uma linha. Não é retórica: é a instrução que impede o agente de produzir a frase que você não quer — "recomendo avançar com a candidata" — em vez da frase que você quer — "três dos cinco critérios têm evidência no currículo; dois não têm". A primeira encerra o assunto. A segunda devolve a decisão a quem tem o direito de tomá-la, com o trabalho chato já feito.
Escreva assim "Você não emite recomendação, nota final nem ranking. Você devolve evidência por critério. A decisão é de quem lê."
-
2 Nomeie o que não pode ser inferido
Este é o item que separa uma skill de RH de qualquer outra. Um agente preenche lacunas — é o que ele faz de melhor e é exatamente o que você não quer quando a lacuna é a formação de alguém, o salário de uma faixa, a data de uma admissão ou o motivo de uma saída. Liste os campos proibidos pelo nome e diga o que fazer no lugar: parar, marcar como ausente, perguntar.
Escreva assim "Nunca deduza tempo de experiência a partir de datas incompletas, nem nível de senioridade a partir do nome do cargo. Se o dado não estiver escrito, registre
sem evidênciae siga." -
3 Escreva as recusas antes dos sucessos
A ordem importa porque o agente lê de cima para baixo e porque o caso difícil é sempre o da entrada incompleta. Antes de descrever o que fazer quando tudo está certo, descreva o que fazer quando falta o scorecard, quando o currículo vem sem datas, quando dois candidatos têm o mesmo nome, quando o pedido chega sem a vaga. Uma skill que só sabe o caminho feliz inventa o resto.
Escreva assim "Se a vaga não tiver scorecard publicado, pare e diga qual arquivo falta. Não monte critérios por conta própria."
-
4 O formato de saída vai como modelo literal
"Devolva em formato de tabela" produz uma tabela diferente a cada execução — e destrói a comparabilidade que era o motivo de escrever a skill. Cole o modelo exato, com os títulos de coluna escritos, os rótulos que você usa e um exemplo pequeno já preenchido. O exemplo preenchido carrega mais informação do que três parágrafos explicando o formato, e é ele que faz duas execuções ficarem parecidas o bastante para serem comparadas.
Escreva assim Em vez de "devolva uma tabela de critérios", cole a tabela com os títulos escritos e uma linha já preenchida com um caso real anonimizado.
-
5 Uma skill, um artefato
Se o arquivo produz uma descrição de cargo e um plano de divulgação, são duas skills. A tentação de juntar vem do fato de que as duas tarefas acontecem no mesmo dia — mas quem carrega a skill é o agente, pela descrição, e uma descrição que fala de duas coisas é acionada nas duas metades do tempo errado. Skill pequena também é mais fácil de testar: o teste que vem mais adiante neste texto não fecha para um arquivo que faz três coisas.
Escreva assim "Você produz um parecer por candidato. Se o pedido também quiser o e-mail de retorno, diga que isso é de outra skill e nomeie qual."
-
6 Separe o procedimento do dado
O procedimento — como pontuar, o que recusar, como formatar — vai no
SKILL.mde muda raramente. O dado — o scorecard desta vaga, a régua de níveis desta empresa — vai emreferences/e muda toda semana. Misturar os dois é o que transforma uma skill em quarenta quase iguais, e é como morrem as bibliotecas de prompt: cada vaga nova exigia um arquivo novo.Escreva assim "Os critérios desta vaga estão em
references/scorecard.md. Nunca copie critérios para dentro deste arquivo." -
7 Dono e data, dentro do arquivo
Use o campo
metadatapara guardardono,versaoerevisado-em. Parece burocracia e é o que mantém a coisa viva: uma skill sem dono apodrece em silêncio, porque o processo que ela descreve muda e ninguém é responsável por avisá-la. Uma data de revisão visível também é a resposta pronta quando alguém pergunta, seis meses depois, com base em que aquele parecer foi escrito.Escreva assim
metadata:comdono: coordenação de R&S,versao: "3"erevisado-em: "2026-09-15".
Quem já escreveu essas regras, e o que elas viraram
Vale olhar o que acontece quando alguém leva essas regras a sério em produção. A Roberta, a IA nativa da Spire, é um roteador que não executa escrita nenhuma sozinho: monta um plano e delega cada tarefa a um sub-agente por domínio — OKR, PDI, desempenho, reconhecimento, pesquisas, 1:1 e recrutamento, entre outros. Cada sub-agente recebe, a cada execução, um bloco de instruções fixo: não é uma tela nem algo que o usuário edite, é o texto que a plataforma manda para o modelo — e ele foi ficando parecido com as regras acima à medida que os erros apareceram.
Três trechos do bloco em português que acompanha os sub-agentes de recrutamento, copiados sem alteração de redação. O primeiro está cortado onde o […] marca — o texto original segue por mais quatro frases sobre montagem de identificadores; os outros dois terminam onde você lê:
NUNCA invente ids. Resolva cada entidade com as ferramentas de listagem/busca da SUA lista acima (pessoas com
list_members) e use exatamente os ids que elas retornaram. […]Se um nome casar com mais de um registro, ou com nenhum, diga isso e PERGUNTE qual é, em vez de escolher.
Não invente salário, datas, local ou número de vagas. Se o usuário não disse, pergunte.
As três frases são, na ordem, a regra 2 aplicada a identificadores, a regra 3 no seu conteúdo — a recusa escrita — aplicada ao caso de nome ambíguo e a regra 2 aplicada aos quatro campos que mais custam quando são chutados. Nenhuma delas foi escrita no primeiro dia.
Há uma quarta linha no mesmo bloco que é específica do domínio e merece atenção porque é a versão dura da regra 1: ações visíveis ao candidato ou irreversíveis — enviar proposta, contratar, recusar em bloco, fundir cadastros, apagar qualquer coisa — precisam ser confirmadas com o usuário, listando exatamente quem é afetado, antes da chamada. E a instrução é explícita quanto ao e-mail: nada sai para um candidato a menos que a chamada passe o sinalizador de envio de propósito. Quem leu o texto sobre retorno ao candidato reconhece o motivo: o custo de uma mensagem errada não é interno.
Três skills de RH, escritas por inteiro
O que vem abaixo não é esboço: são três arquivos completos, prontos para salvar numa pasta com o nome do campo name e usar hoje. Leia-os também como exemplos das sete regras — cada um abre pelo que entrega e pelo que não entrega, põe as recusas antes do caminho feliz, lista o que nunca deve ser inferido e termina com um modelo de saída literal.
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name: triagem-de-curriculo
description: Pontua um currículo contra o scorecard publicado de uma vaga, critério
por critério, e devolve a evidência textual que sustenta cada nota, mais a lista do
que não tem evidência. Não recomenda, não ranqueia e não compara candidatos
entre si. Use quando alguém mencionar triagem, currículo, CV, scorecard, grade de
avaliação, shortlist ou "dar uma olhada nesses candidatos".
metadata:
dono: coordenação de R&S
versao: "3"
revisado-em: "2026-09-15"
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# Triagem de currículo contra scorecard
## O que você entrega, e o que não entrega
Você devolve EVIDÊNCIA POR CRITÉRIO. Você não emite recomendação, nota final,
ranking, percentual de aderência nem comparação entre candidatos. A decisão de
avançar ou não é de quem lê este parecer.
## Antes de começar: pare nestes casos
1. Sem scorecard. Se `references/scorecard.md` não existir, ou não trouxer
critérios com níveis descritos, PARE e diga qual arquivo falta. Nunca monte
critérios por conta própria a partir do título da vaga.
2. Vários currículos de uma vez. Processe um por vez, um parecer para cada.
Nunca um quadro comparativo.
3. Documento ilegível ou truncado. Diga o que conseguiu ler e pare.
4. Critério que pede dado que não deveria estar num currículo (idade, estado
civil, filhos, origem, condição de saúde): não avalie. Escreva
`critério fora de escopo` e siga.
## Como avaliar cada critério
Para cada critério do scorecard, nesta ordem:
1. Procure no currículo um trecho que sustente o critério.
2. Se encontrou, copie o trecho LITERALMENTE, entre aspas, em no máximo duas
linhas. Não parafraseie: a citação é a prova.
3. Classifique em um destes três níveis, e só nestes três:
- `atende` — o trecho citado satisfaz a descrição do nível no scorecard;
- `parcial` — há trecho relacionado, mas ele não cobre o que o nível pede;
- `sem evidência` — não há trecho no documento.
4. Escreva no máximo 20 palavras dizendo por que o trecho sustenta, ou não, o nível.
## O que você nunca infere
- Tempo de experiência a partir de datas incompletas ou ausentes.
- Senioridade a partir do nome do cargo.
- Formação a partir do nome da instituição.
- Domínio de idioma a partir de uma experiência no exterior.
- Motivo de saída a partir de um intervalo entre dois empregos.
Nesses casos o nível é `sem evidência`. Um intervalo sem explicação é dado
ausente, não sinal.
## Formato de saída (copie exatamente esta estrutura)
Candidato: {nome como está no documento}
Vaga: {título} · Scorecard: {arquivo e versão}
| Critério | Nível | Evidência (citação literal) | Observação |
|---|---|---|---|
| Fechamento de folha | atende | "responsável pelo fechamento mensal da folha de 400 pessoas" | Cobre o volume do nível 3. |
| Inglês avançado | sem evidência | — | O documento não menciona idiomas. |
Sem evidência: {lista dos critérios classificados assim}
Perguntas para a entrevista: {uma por critério `parcial` ou `sem evidência`, até cinco}
Feche com esta linha, sem alterações:
> Este parecer lista evidências. Ele não recomenda avançar nem recusar.
Combine com o scorecard da entrevista estruturada — é dele que sai o arquivo em references/ — e com a nota de corte da prova, que continua sendo decisão humana e não entra aqui.
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name: descricao-de-cargo
description: Escreve ou revisa uma descrição de cargo a partir de entregas
observáveis, separando requisito eliminatório de desejável e marcando toda
exigência que não sustenta nenhuma entrega. Use quando alguém falar em descrição
de cargo, job description, abrir vaga, requisitos, perfil da posição, anúncio
de vaga ou revisar um cargo existente.
metadata:
dono: business partner de RH
versao: "2"
revisado-em: "2026-09-08"
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# Descrição de cargo orientada a entregas
## O que você entrega
Uma descrição com cinco blocos, nesta ordem: propósito, entregas dos primeiros
90 dias, requisitos eliminatórios, desejáveis e como o desempenho será avaliado.
E uma lista de EXIGÊNCIAS MARCADAS, que costuma ser a parte mais útil do trabalho.
As duas partes saem no MESMO documento: isto é um artefato só.
Você NÃO decide se a vaga deve ser aberta, não arbitra faixa salarial e não julga
se um requisito é razoável para o mercado. Você mostra qual exigência não sustenta
entrega nenhuma; quem tira ou mantém é quem assina a vaga.
## Antes de começar: pare nestes casos
1. Menos de três entregas observáveis informadas: peça as entregas. Sem elas,
uma descrição de cargo vira lista de adjetivos.
2. Faixa salarial não informada: escreva `faixa: não informada` e siga. Nunca
estime uma faixa a partir do título ou do mercado.
3. Pedido para copiar a descrição de outra empresa: recuse e peça as entregas.
## Regra central: toda exigência precisa de um "para quê"
Ao lado de cada requisito, escreva qual entrega ele sustenta. Se não houver
entrega correspondente, o item NÃO vai para eliminatórios — vai para a lista de
exigências marcadas, com o motivo.
Marque sempre, sem exceção:
- anos de experiência sem entrega que os justifique;
- diploma específico quando a entrega pede habilidade, e não curso;
- ferramenta proprietária quando a habilidade é transferível;
- disponibilidade ou regime que não aparece em nenhuma entrega.
## O que você nunca infere
- Senioridade a partir do título do cargo informado.
- Anos de experiência necessários a partir do nível do cargo.
- Escolaridade exigida a partir da área de atuação.
- Faixa salarial a partir do título ou do mercado.
Quando faltar, pergunte ou escreva `não informado`. Não preencha por analogia.
## O que você nunca escreve
Nada sobre idade, sexo, estado civil, filhos, aparência, religião, origem ou
condição de saúde — nem os eufemismos ("perfil jovem", "muita energia", "disponível
para o que der e vier"). Se o pedido trouxer algum desses termos, remova e registre
a remoção nas exigências marcadas.
## Formato de saída (copie exatamente esta estrutura)
Cargo: {título} · Área: {área} · Faixa: {faixa ou "não informada"}
Propósito (uma frase, começando por um verbo): ...
Entregas dos primeiros 90 dias
1. {entrega} — observável por: {como se verifica}
| Requisito eliminatório | Entrega que ele sustenta |
|---|---|
| Fechamento de folha em empresa de 300+ pessoas | Fechar a folha de dezembro sem atraso |
Desejáveis
- Experiência com auditoria de ponto
Como o desempenho será avaliado
- Folha fechada dentro do prazo nos três primeiros ciclos.
- Divergências de ponto resolvidas antes do fechamento, não depois.
| Exigência marcada | O que foi feito | Motivo |
|---|---|---|
| Ensino superior completo | movido para desejáveis | Nenhuma das três entregas exige o diploma. |
O modelo anotado de sete blocos que está por trás deste procedimento — a skill comprime dois deles — é o de como escrever uma descrição de cargo; a faixa que a skill se recusa a estimar vem da estrutura de cargos e salários.
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name: resultado-chave
description: Revisa um resultado-chave de OKR contra sete testes objetivos — medida,
linha de base, alvo, direção, fonte do dado, dono e prazo — e devolve a versão
reescrita ao lado da original, com as perguntas em aberto. Use quando alguém falar
em OKR, KR, resultado-chave, meta do trimestre, objetivo, check-in de meta ou
revisão de metas.
metadata:
dono: escritório de estratégia
versao: "4"
revisado-em: "2026-09-19"
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# Revisão de resultado-chave
## O que você entrega
Para cada resultado-chave recebido: os sete testes com veredito, a versão
reescrita e a lista do que precisou ser perguntado. Você não cria objetivos, não
define alvos e não escolhe donos.
## Antes de começar: pare nestes casos
- Se o texto recebido for um OBJETIVO (uma direção, sem número), diga isso e peça
os resultados-chave. Não transforme objetivo em KR por conta própria.
- Se vierem mais de cinco KRs para o mesmo objetivo, avise que isso costuma indicar
lista de tarefas disfarçada — e revise assim mesmo.
## Os sete testes
Aplique nesta ordem. Registre `passa` ou `falha` para cada um.
1. Medida — existe uma grandeza única e nomeada? ("melhorar o clima" falha)
2. Linha de base — o valor de hoje está escrito? Sem ele não existe progresso.
3. Alvo — há um número de chegada, e não um intervalo vago?
4. Direção — está claro se o número deve subir, descer ou atingir um valor exato?
5. Fonte — está escrito de onde o número sai e quem consegue lê-lo?
6. Dono — há um responsável nomeado, pessoa ou área? "O time" falha.
7. Prazo — a data de fim é a do ciclo, ou outra escrita explicitamente?
## O que você nunca faz
- Nunca invente a linha de base. Se não foi informada, o teste 2 falha e você
pergunta. Não a estime a partir do alvo.
- Nunca escolha o dono. Se não foi dito, o teste 6 falha e você pergunta.
- Nunca converta tarefa em resultado-chave. "Contratar um sistema" é tarefa; o KR
é o efeito que o sistema deveria produzir.
## Formato de saída (copie exatamente esta estrutura)
Original: {texto recebido, sem nenhuma alteração}
| # | Teste | Veredito | O que falta |
|---|---|---|---|
| 1 | Medida | passa | — |
| 2 | Linha de base | falha | O valor de hoje não foi informado. |
Reescrito: {uma frase com medida, linha de base, alvo, direção e prazo}
Fonte do dado: ... · Dono: ...
Perguntas em aberto: {lista; vazia se não houver}
Quando um teste falhar por falta de informação, o campo correspondente na versão
reescrita fica como {a definir} — nunca preenchido por estimativa.
Os sete testes são a forma executável do que está em OKR na prática; o teste 6 tem uma sutileza que o texto sobre dono que não é uma pessoa resolve, e é no teste 1 que costuma aparecer a dúvida de fundo sobre o número ser KPI ou resultado-chave.
Oito perguntas, resultado na própria tela
Antes de automatizar um processo, veja qual deles está pior
Uma skill acelera o processo que você já tem — os bons e os ruins igualmente, e essa é a parte que ninguém avisa. Antes de escolher qual automatizar, o diagnóstico faz oito perguntas fechadas sobre metas, desenvolvimento, desempenho e clima e devolve na própria tela a nota de cada frente com o primeiro item a consertar. São quatro campos de identificação e um telefone que você pode deixar em branco.
Como saber se a skill funciona: doze casos e duas medidas
Aqui fechamos o laço com o 56% que abriu o texto. Uma skill é testável porque é um objeto — e o teste é bem mais simples do que parece. Não envolve ferramenta, painel nem cientista de dados. Envolve uma pasta com doze casos e uma planilha de doze linhas.
Monte o conjunto de referência. Junte doze casos reais já resolvidos por uma pessoa — doze currículos que alguém já triou contra o mesmo scorecard, com o veredito registrado. Escolha-os de propósito, não por sorteio: dois fáceis, seis medianos e quatro difíceis, incluindo os que você sabe que são ambíguos. Os difíceis são os que ensinam.
Rode cada caso duas vezes. Vinte e quatro execuções, com a skill idêntica e a entrada idêntica, sem nenhum ajuste de prompt no meio. Só isso já mede a coisa que nenhum histórico de conversa consegue medir.
Duas medidas saem daí, e elas respondem a perguntas diferentes:
Estabilidade
casos cujas duas execuções deram o mesmo veredito ÷ 12
Responde: a skill repete? É a medida que você olha primeiro, porque uma skill instável não tem o que ser comparado com nada. Instabilidade quase sempre vem de formato de saída descrito em vez de colado, ou de critério que admite interpretação.
Concordância
casos em que a skill chegou ao mesmo veredito da pessoa ÷ 12
Responde: a skill concorda com o julgamento humano de referência? Só faz sentido depois que a estabilidade estiver alta — concordar por acaso em uma execução e discordar na seguinte não é concordância, é sorte.
O que se faz com os números é o mais importante. O quadro abaixo é o formato da planilha, não um resultado: os números são de um exemplo construído para a conta ficar visível, e não são uma medição da Spire nem de um cliente. O resultado que interessa é o seu.
| Medida | Versão 1 | Versão 2 | Variação |
|---|---|---|---|
| Estabilidade | 7/12 · 58,3% | 12/12 · 100% | +41,7 pp |
| Concordância | 8/12 · 66,7% | 11/12 · 91,7% | +25,0 pp |
Quatro correções produziram a diferença, e nenhuma delas foi "melhorar o prompt": (1) o modelo de saída passou a ser colado em vez de descrito e (2) os níveis foram fechados em três valores nomeados, acabando com o "atende parcialmente bem" — as duas são a regra 4; (3) a lista do que nunca se infere ganhou os cinco itens que estavam causando as discordâncias, que é a regra 2; e (4) as condições de parada subiram para antes do caminho feliz, que é a regra 3. Nenhuma correção mexeu no que a skill produz — só em como ela é instruída a produzir.
O caso que sobra é o mais valioso do lote. Num conjunto bem montado, o único caso em que a skill continua discordando costuma ser aquele em que duas pessoas também discordariam — o currículo ambíguo, o critério mal escrito, a evidência que depende de contexto que não está no documento. Quando você chega nele, parou de consertar a skill: está consertando o scorecard. É o mesmo movimento que uma mesa de calibração faz quando descobre que o problema não era o avaliador, era a âncora do nível.
Refaça o teste quando a skill mudar, e guarde a linha antiga. Duas colunas numa planilha, uma por versão, com a data. Em três meses isso é a única prova que existe de que o processo melhorou — e é exatamente o que falta aos 56% de áreas de RH que não medem. São 24 execuções e uma planilha de doze linhas: cabe numa manhã na primeira vez e em duas passadas nas seguintes.
O que não entra numa skill
Quatro coisas. As duas primeiras por segurança, a terceira por princípio e a quarta porque simplesmente não funciona.
- Dado pessoal. Nome, CPF, salário, endereço, avaliação, laudo — nada disso vai dentro do arquivo. A skill é copiada, versionada, mandada por mensagem e um dia vai parar num repositório. Ela descreve como tratar o dado; o dado chega no momento do uso e vai embora com a conversa.
- Credencial. Chave de API, senha, token, link assinado. Mesma razão, com consequência pior.
- A decisão. Quando a skill fica boa, aparece o pedido de deixá-la recomendar. Uma recomendação escrita por um agente é convincente por construção — evidência organizada, linguagem firme, nenhum sinal externo de incerteza. Isso a torna mais perigosa, não menos.
- O dado vivo. Uma skill é instrução, não banco de dados. Ela não sabe quem entrou no mês passado, quantas vagas estão abertas, qual foi a nota do último ciclo nem quem está sem 1:1 há seis semanas. Quem escreve o número na skill cria um arquivo que mente com o tempo — e a mentira é silenciosa, porque nada avisa que o número envelheceu.
Onde a skill para e o dado começa
O quarto item acima é a fronteira que vale entender, porque é ela que separa "a IA escreveu um texto bonito" de "a IA fez o trabalho". Uma skill carrega o procedimento. O dado tem de vir de onde ele realmente mora — e sob as mesmas permissões que a conta da pessoa tem na plataforma.
É esse o papel do protocolo que os agentes usam para falar com sistemas, o MCP. Na Spire ele funciona assim, e os detalhes importam mais do que a sigla:
- 1
O agente externo — Claude, Claude Code, Cursor, Codex — descobre o servidor e pede autorização. A pessoa entra com a própria conta, num fluxo de consentimento no navegador, e aprova o acesso. Não existe chave compartilhada de equipe.
- 2
O que o agente recebe é um token que carrega as mesmas permissões e o mesmo papel da conta na plataforma, checados pelos mesmos endpoints que a interface usa. E aqui vai a sutileza que vale ouro: a fronteira real é a permissão, não a tela. Se um endpoint devolve mais do que a tela daquela pessoa mostra, o agente vê esse mais. Antes de conectar, a pergunta certa não é "o que ela vê no sistema?" — é "o que a conta dela consegue ler pela API?".
- 3
Com o token, o agente lista as ferramentas disponíveis e chama as que precisa. E é aqui que aparece a diferença que mais muda o que você vai escrever no arquivo. Dentro do produto, a Roberta separa leitura de escrita: as leituras correm sozinhas e as escritas se juntam num cartão de aprovação que mostra, item a item, o que vai mudar e em quem — nada acontece antes de alguém clicar. Pelo MCP não existe esse cartão: a chamada executa direto, limitada pelas permissões do token e por mais nada.
- 4
Os módulos opcionais — o de recrutamento, por exemplo — só aparecem para quem tem o módulo contratado, a funcionalidade ligada e a permissão. Quem não tem os três não vê a ferramenta na lista, e também não consegue chamá-la adivinhando o nome: a mesma checagem roda de novo na hora da chamada.
Guarde o passo 3, porque ele muda o que você escreve. As duas portas dão acesso ao mesmo conjunto de ferramentas e às mesmas permissões — a Roberta atende quem está dentro do produto, e o MCP atende quem está num agente externo com as suas skills já escritas. Mas só uma das duas tem um humano no caminho por construção. Do lado de fora, o que impede uma escrita indesejada é a regra que você escreveu na skill — e é por isso que a regra 1 ("ela não decide") e a regra 3 ("recusas antes dos sucessos") deixam de ser conselho de estilo e viram o único freio disponível.
Uma consequência prática, e ela é desconfortável. Se você vai plugar um agente externo em dados de pessoas, a primeira skill que vale escrever não é a que produz alguma coisa: é a que recusa. Comece pelas três ou quatro operações que a sua área nunca quer ver acontecendo sem alguém olhando — mandar mensagem a candidato, encerrar processo, mudar remuneração, apagar registro — e escreva, no arquivo, que a skill para e pergunta antes de qualquer uma delas. Depois escreva a que produz.
É por isso que as três skills deste texto não pedem número nenhum no arquivo. A de triagem lê o scorecard de references/; a de descrição de cargo se recusa a estimar faixa; a de resultado-chave deixa {a definir} quando falta a linha de base. Nenhuma delas finge saber o que só o sistema sabe — e é justamente essa recusa que torna as três seguras de compartilhar.
Perguntas frequentes
Preciso saber programar para escrever uma skill?
Não. Um SKILL.md é um arquivo de texto: um punhado de linhas de metadados no topo e prosa com títulos abaixo. As três skills deste texto foram escritas sem uma linha de código, e a pasta scripts/ — a única parte que pediria programação — é opcional e a maioria das skills de RH não usa. Se você já escreveu um procedimento operacional, já escreveu a maior parte de uma skill.
Onde eu guardo os arquivos?
Cada agente lê as skills de um diretório próprio, e o caminho muda de ferramenta para ferramenta — confira na documentação da sua. Dois exemplos concretos para você ter por onde começar: no Claude Code, uma skill do projeto vive em .claude/skills/<nome-da-skill>/SKILL.md, dentro do repositório, e uma skill sua, pessoal, em ~/.claude/skills/; nos produtos com interface, costuma haver uma tela de upload da pasta. O que não muda é a recomendação: guarde as skills onde o time já guarda o resto dos procedimentos, com histórico de versões. Uma skill dentro do computador de uma pessoa é um prompt com nome melhor.
Isso é a mesma coisa que um assistente personalizado dentro da ferramenta?
Parecido no efeito, diferente no que importa. Um assistente configurado dentro de um produto vive lá, na conta de quem o criou, no formato daquele fornecedor. Uma skill é um arquivo aberto que você leva embora. Quando a empresa trocar de ferramenta — e vai trocar —, o assistente fica para trás e a pasta vai junto.
E se a empresa usa ChatGPT, não Claude?
O formato foi criado pela Anthropic e publicado como padrão aberto, e a lista de clientes compatíveis publicada em agentskills.io inclui o ChatGPT e o Codex, o GitHub Copilot, o VS Code, o Cursor, o Gemini CLI e várias dezenas de outros, além do próprio Claude. A portabilidade não é promessa: é a razão de o padrão existir.
A skill substitui o analista?
Ela substitui a parte do trabalho que consiste em ler a mesma coisa vinte vezes procurando os mesmos cinco itens. O que ela não faz — por escrito, na regra 1 — é decidir. Repare que as três skills deste texto aumentam o trabalho de decisão que sobra para a pessoa: elas devolvem evidência e perguntas em aberto, não um veredito pronto para assinar.
Como isso conversa com a política de uso de IA da empresa?
Ajuda mais do que atrapalha. Segundo o mesmo relatório da SHRM, 49% das organizações têm política regulando o uso de IA pelos funcionários e só 25% consideram a própria política preparada para o futuro — em boa parte porque ela é escrita contra ferramentas específicas, que mudam. Uma skill move a regra do nível da ferramenta para o nível da tarefa: o que não pode ser inferido, o que exige aprovação humana e o que nunca entra no arquivo ficam escritos onde o trabalho acontece.
E se o agente simplesmente ignorar a skill?
Acontece, e quase sempre a causa é a description: o agente só vê nome e descrição na hora de decidir, e se ela não contiver as palavras que a pessoa usou, a skill não é acionada. Antes de mexer no corpo, reescreva a segunda metade da descrição com os termos reais do seu time. Se ainda assim não ativar, peça a skill pelo nome uma vez: isso separa o problema de roteamento do problema de instrução.
Vinte minutos, com um agente conectado ao vivo
Traga uma skill sua e a gente pluga nos seus dados
O roteiro padrão dessas conversas monta o seu ciclo de metas ao vivo. Se o seu interesse for o agente, escreva isso ao responder o nosso e-mail e trocamos o roteiro: conectamos um agente externo à plataforma pelo fluxo de consentimento, listamos as ferramentas que o seu perfil enxerga e pomos as duas portas lado a lado — pelo agente externo a chamada executa direto, e dentro do produto a mesma operação para no cartão de aprovação. A resposta sai em até um dia útil e já vem com opções de horário.
Fontes
- SHRM, The State of AI in HR 2026 — publicado em 3 de abril de 2026. A própria SHRM descreve o estudo como construído sobre mais de 1.900 profissionais de RH; parte da cobertura de terceiros cita 1.722 respondentes e campo entre 5 e 23 de dezembro de 2025. Adotamos o número da SHRM e registramos a divergência em vez de escolher o mais conveniente: use os percentuais como ordem de grandeza de um recorte majoritariamente norte-americano, não como retrato do Brasil. Daqui saem, entre outros, 39%, 62%, 87%, 75%, 70%, 56%, 16%, 49%, 25% e a distribuição por área de uso.
- Especificação Agent Skills — agentskills.io/specification, consultada em 23 de setembro de 2026. Daqui saem os limites de
name(64 caracteres) edescription(1.024), os campos opcionais, os três estágios de carregamento, a recomendação de manter o corpo abaixo de 5.000 tokens e o arquivo abaixo de 500 linhas, e a lista de clientes compatíveis. A página declara que o formato foi criado pela Anthropic e publicado como padrão aberto; ela não publica número de versão da especificação, então não citamos nenhum. - Código da própria Spire — os três trechos de instrução da seção das sete regras foram lidos no bloco de orientações que acompanha os sub-agentes de recrutamento. O comportamento descrito na seção do MCP — consentimento no navegador, token com as mesmas permissões da sessão, checagem de módulo opcional repetida na hora da chamada e, sobretudo, a ausência de cartão de aprovação nesse caminho — foi verificado no servidor: o cartão de aprovação é do laço do agente dentro do produto, onde as escritas se juntam num pedido de permissão, e não da rota do MCP, que executa a ferramenta direto. São instruções internas e regras de servidor, não telas do produto — o que o usuário vê é o resultado delas.
- O número que não entrou. Circulam números de 2026 sobre "percentual de empresas que usam IA para escrever descrição de cargo" que variam de 42% a 66% conforme a matéria, sem que nenhuma abra a amostra ou o período de campo. Não usamos nenhum deles. O argumento deste texto não depende de quantas empresas fazem — depende de quantas conseguem dizer se funcionou, que é o dado que a SHRM publica com método.
A skill que revisa as outras
Escrever a primeira skill é uma sessão de trabalho. Manter dez skills boas é outro problema, e ele não se resolve com disciplina: resolve-se com um revisor que não se cansa. Este é o último arquivo do texto, e ele fecha o argumento — se uma skill é um objeto, ela pode ser conferida por outra.
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name: revisar-skill
description: Audita um arquivo SKILL.md contra as regras de formato do padrão Agent
Skills e contra sete regras de escrita, e devolve um veredito por regra com o
trecho que o justifica. Não reescreve o arquivo auditado. Use quando alguém pedir
para revisar, auditar ou dar uma olhada numa skill, ou antes de publicar uma skill
nova para o time.
metadata:
dono: quem mantém a biblioteca de skills
versao: "1"
revisado-em: "2026-09-23"
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# Revisão de skill
## O que você entrega
Uma tabela de vereditos e nada mais. Você NÃO reescreve o arquivo auditado, não
sugere texto pronto e não dá nota geral. Para cada achado, cite o trecho exato do
arquivo que o motivou; sem citação, o achado não vale.
## Antes de começar: pare nestes casos
- Sem frontmatter delimitado por três traços: pare e diga que o arquivo não é uma
skill válida.
- Mais de um arquivo por vez: audite um, peça o próximo.
## Bloco A — formato (falha objetiva, não opinião)
1. `name` existe, tem até 64 caracteres, só minúsculas, números e hífen, não começa
nem termina com hífen e não tem hífen duplo.
2. `name` é igual ao nome da pasta.
3. `description` existe, não é vazia e tem até 1.024 caracteres.
4. `description` diz o que a skill faz E quando acioná-la.
5. Campos fora da especificação: aponte-os pelo nome.
6. Corpo com mais de 500 linhas: aponte e indique o que caberia em `references/`.
## Bloco B — as sete regras de escrita
1. Diz explicitamente que não decide, e o que entrega no lugar de uma recomendação.
2. Lista pelo nome o que nunca deve ser inferido.
3. Traz as condições de parada ANTES do caminho feliz.
4. Traz o formato de saída colado como modelo literal, e não descrito, com pelo
menos uma linha de exemplo já preenchida.
5. Produz um único artefato.
6. Mantém dado variável fora do corpo, em `references/`.
7. Tem `dono`, `versao` e `revisado-em` em `metadata`.
## Achados que você sempre reporta
- Dado pessoal, nome real, salário ou credencial dentro do arquivo: reporte como
BLOQUEADOR, sempre, mesmo que pareça exemplo.
- Verbo de decisão dirigido ao agente e fora de uma negação ("recomende",
"escolha o melhor", "defina a nota final"): reporte, citando a linha. Um verbo
dentro de "nunca…" ou "não…" é o oposto do defeito — não reporte.
- Número fixo que envelhece (quantidade de pessoas, valor, data futura): reporte.
## Formato de saída (copie exatamente esta estrutura)
Skill auditada: {name} · versão {versao} · revisada em {revisado-em}
| Bloco | Item | Veredito | Trecho citado |
|---|---|---|---|
| A | 2 | passa | `name: triagem-de-curriculo` e a pasta com o mesmo nome |
| B | 4 | falha | "Devolva um resumo em formato de tabela." (descrito, não colado) |
Bloqueadores: {lista; "nenhum" se vazia}
Três perguntas para o dono da skill: {as que o arquivo não responde}
Rode esse arquivo contra as três skills anteriores e ele vai encontrar coisa — é para isso que ele existe. E o achado mais interessante é sobre ele mesmo: revisar-skill passa no bloco A inteiro e reprova no item 2 do bloco B, porque não tem a lista nomeada do que nunca deve inferir — embora a exigência de citar o trecho faça parte desse trabalho. E ainda se pega no terceiro item dos seus próprios "achados que você sempre reporta", porque crava 64, 1.024 e 500 linhas: três números de uma especificação que, como as Fontes dizem, não publica versão nenhuma. Deixei as duas falhas onde estão, de propósito. Uma biblioteca de skills não envelhece bem porque alguém se lembra de revisá-la — envelhece bem porque a revisão também virou um arquivo, e porque o arquivo aceita ser reprovado por si mesmo.
Repare, por fim, que nada disso é sobre IA. Um ritual que ninguém escreveu não sobrevive à troca de gestor. Uma régua de promoção que mora na cabeça de três pessoas não sobrevive ao crescimento do time. Uma trilha desenhada do fim para o começo não sobrevive ao segundo semestre se ninguém escreveu o desenho. O RH sabe disso há décadas e é bom nisso: transformar prática em instrumento é literalmente o ofício. A novidade de 2026 é que agora existe um instrumento a mais, aberto, de texto puro, que qualquer pessoa da área consegue escrever sozinha, na mesma sessão em que decide que quer um — e que, pela primeira vez, faz a pergunta "isso funcionou?" ter resposta.


