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Proposta de emprego: como montar a carta oferta que o candidato aceita

Um aumento de 14% no salário pode valer só 6% no pacote — e perder para uma contraproposta de 8%. As cinco perguntas antes da carta, os nove blocos da carta proposta, um gerador com comparador de pacote, os indicadores da etapa e os números de 2026 sobre aceite.

31 min de leitura

Quando a proposta de emprego chega às mãos da candidata (ou do candidato), a disputa quase sempre já foi decidida — pela velocidade com que ela chegou, pelo que a empresa perguntou antes de escrevê-la e por uma comparação que a candidata faz sozinha, com números que a carta raramente mostra. A carta oferta, ou carta proposta, não convence ninguém a aceitar. Ela confirma, por escrito, uma decisão que a conversa anterior já encaminhou — ou deixa escapar uma que parecia ganha.

Este texto trata da proposta de emprego como a última etapa do processo seletivo e a mais barata de perder: a empresa já pagou a triagem, as entrevistas e as horas de quem avaliou. Ele mostra o que os levantamentos publicados entre setembro de 2025 e agosto de 2026 dizem sobre aceite e recusa, as cinco perguntas que precisam ser feitas antes de escrever qualquer coisa, a anatomia de uma carta proposta em nove blocos, um gerador de carta com comparador de pacote para usar com os seus números, os quatro indicadores que medem a etapa e como o módulo de recrutamento da Spire registra propostas na versão de 24 de setembro de 2026.

Cenário ilustrativo, montado para este texto, com duas empresas disputando a mesma candidata ao longo de onze dias corridos, do dia 0 ao dia 10. As duas fazem a entrevista final no dia 0. A empresa A faz a conversa de fechamento no dia 1, envia a carta no dia 2 e recebe o aceite no dia 4. A empresa B passa os dias 1 a 7 em aprovações internas, sem contato com a candidata, envia a carta no dia 8 e recebe uma recusa no dia 9, porque a candidata já aceitou a proposta da empresa A.

Proposta de emprego em 2026: o que os números mostram sobre aceite e recusa

Não há, até setembro de 2026, um levantamento brasileiro público sobre taxa de aceite de proposta com amostra e metodologia abertas. O que existe são três tipos de dado que, lidos juntos, desenham a etapa: a taxa de aceite medida em sistemas de recrutamento (quase toda de fora do Brasil), a disposição de quem trabalha aqui a trocar de emprego, e o que as empresas fazem quando alguém do time recebe uma proposta. A tabela abaixo reúne os números que foram abertos na fonte, com a base de cada um. Eles não se somam: cada linha mede uma população diferente.

Números publicados entre setembro de 2025 e agosto de 2026 sobre proposta de emprego, aceite, recusa e contraproposta, com a fonte, a base e o que cada número não diz.
NúmeroO que medeBaseO que ele não diz
82%Das candidaturas que chegam à proposta, a fatia que aceita — a maior desde 2021, segundo a Gem2026 Recruiting Benchmarks Report, da Gem (fornecedora de software de recrutamento): 165 milhões de candidaturas e 1,2 milhão de contratações de clientes, de junho de 2021 a maio de 2025Não é Brasil, e não informa por que os outros 18% recusam
0,5%Das candidaturas, a fatia que recebe proposta: cerca de uma contratação a cada 200A mesma base da GemÉ um agregado de clientes da ferramenta, não uma amostra do mercado
9 diasTempo médio entre a proposta e a resposta do estudante; da primeira entrevista até a proposta (ou recusa), 27,3 dias2025 Recruiting Benchmarks Report da NACE (EUA): 197 organizações associadas e 15 não associadas, campo de 21/04 a 23/05/2025, recrutamento universitárioNão fala de profissionais experientes, que costumam ter mais propostas simultâneas
47%Profissionais brasileiros que pretendem procurar emprego nos próximos seis meses (16% já estão procurando)Robert Half, agosto de 2026: 1.000 profissionais de finanças, tecnologia, engenharia, jurídico e administrativoNão diz quantos aceitariam uma proposta, nem por quanto
45% · 42% · 29%Entre quem quer mudar de empresa na mesma área, três dos motivos: crescimento, remuneração maior e pacote de benefícios mais atrativo (novos desafios e trabalho remoto ou híbrido têm 31% cada)Robert Half, dezembro de 2025: 500 profissionais, campo em novembro de 2025Respostas múltiplas, não somam 100%
85% · 32%Empregadores que fizeram contraproposta a alguém do time no último ano; e, entre eles, os que viram a pessoa sair em até 12 meses mesmo assimGuia Salarial 2026 da Robert Half nos EUA, citado pela HRD America em 16/06/2026, sem amostra publicada no artigoNão é Brasil, a amostra não foi aberta, e não diz por que a pessoa ficou ou saiu

Três leituras saem daí. A primeira: perder na última etapa é caro porque chegar até ela é raro. Se uma contratação consome em média 200 candidaturas, uma proposta recusada devolve a vaga para o meio do funil, não para o começo — mas devolve. O cálculo do tamanho desse funil está no guia sobre funil de recrutamento, etapas e gargalos.

A segunda: o mercado está em movimento: na pesquisa da Robert Half de agosto de 2026, 47% planejam procurar emprego no semestre e 16% já procuram. Quem já está no seu processo tem boa chance de estar em outro ao mesmo tempo, e a pergunta relevante não é se há outra proposta na mesa, e sim quando ela chega. O tempo que a sua empresa leva entre a entrevista final e a carta é tempo em que outra empresa pode chegar antes — e o intervalo que mais atrasa, o de marcar as entrevistas, tem conta própria no texto sobre agendamento de entrevistas.

A terceira: a concorrente que quase sempre está na mesa não é outra empresa que contrata, é a empresa atual da candidata. Nos Estados Unidos, 85% dos empregadores ouvidos pela Robert Half disseram ter feito ao menos uma contraproposta no último ano, e o levantamento brasileiro da Robert Half de dezembro de 2025 lista "benefícios e remuneração" (52%) como o primeiro fator que mantém as pessoas onde estão. A contraproposta tem seção própria mais abaixo; antes dela vem o que a evita.

Antes da carta proposta: as cinco perguntas da conversa de fechamento

A conversa de fechamento é uma ligação ou chamada de vídeo curta, feita logo depois da decisão de contratar e antes de a carta ser escrita. Quem conduz é a recrutadora ou a gestora da vaga. Ela tem dois objetivos: contar à candidata que a decisão saiu e colher o que falta para escrever uma proposta que ela possa aceitar. Uma carta escrita sem essa conversa é um palpite com assinatura.

São cinco perguntas. Nenhuma delas é uma negociação, e todas cabem em quinze minutos.

  1. "Para você avaliar a proposta com calma, o que compõe o seu pacote hoje?"Salário, vale-refeição ou alimentação, plano de saúde (e se inclui dependentes), variável, modelo de trabalho. É a pergunta que mais evita recusa, porque a candidata compara a sua proposta com o pacote inteiro dela, não com o salário. O exemplo mais abaixo mostra um aumento de 14% no salário virar 6% no pacote.
  2. "Você está em outros processos? Em que etapa?"Não para leiloar, e sim para saber quanto tempo você tem. Uma candidata na entrevista final de outra empresa pede uma carta amanhã, não na semana que vem.
  3. "Se a sua empresa atual fizer uma contraproposta, o que ela teria de mudar para você ficar?"A resposta diz se o motivo da saída é dinheiro (que uma contraproposta resolve com facilidade) ou outra coisa — crescimento, liderança, modelo de trabalho — que ela resolve com menos frequência. É mais fácil perguntar agora do que descobrir no dia da recusa.
  4. "Quando você conseguiria começar?"A data de início sai da vida da candidata, não do desejo da gestora. Escrever uma data que ela não pode cumprir obriga a uma segunda carta.
  5. "Tem mais alguém com quem você vai conversar antes de decidir?"Parceiro, família, um mentor. Saber disso muda o prazo de resposta que você vai propor e o formato da carta: ela vai ser lida por alguém que não esteve nas entrevistas.

O que não entra na conversa: o valor final antes de ele estar aprovado internamente, promessas que a carta não vai repetir e pressão por uma resposta na hora. Se o valor ainda depende de aprovação, diga isso e diga quando a carta chega. A regra de ouro das mensagens ao candidato — cada contato tem data e dono — é a mesma do texto sobre retorno ao candidato, e vale aqui também para quem vai receber a proposta, não só para quem vai receber um não.

Anatomia da carta oferta: os nove blocos e o erro que cada um evita

Uma boa carta proposta é curta e completa ao mesmo tempo. Curta porque a candidata vai lê-la no celular, provavelmente mais de uma vez. Completa porque tudo o que ela não disser vira pergunta — e toda pergunta sem resposta imediata é mais um dia em que outra proposta pode chegar. Estes são os nove blocos da carta oferta, na ordem em que aparecem no modelo do gerador.

Os nove blocos de uma carta de proposta de emprego, o que escrever em cada um e o erro mais comum que cada um evita.
BlocoO que escreverO erro que custa o aceite
1. AberturaA decisão, em uma frase, e o motivo concreto da escolhaTrês parágrafos de institucional antes de dizer que ela foi aprovada
2. Cargo e timeTítulo do cargo, nível, área e o nome de quem será a liderança diretaUm título diferente do anunciado na vaga, sem explicação
3. Modelo de trabalhoPresencial, híbrido ou remoto, com o número de dias e o local"Modelo híbrido" sem dizer quantos dias — a candidata imagina o número que prefere
4. Data de inícioA data combinada na conversa de fechamentoUma data que ela não pode cumprir, escrita sem perguntar
5. Remuneração fixaSalário mensal bruto e o regime de contrataçãoInformar só o valor anual, ou só o líquido estimado, sem dizer qual é
6. VariávelSe houver: o alvo, do que ele depende e quando é pago — separado do fixoSomar o variável ao salário numa linha só, como se fosse garantido
7. BenefíciosCada benefício com o valor, e se o plano de saúde inclui dependentesA lista sem valores ("VR, VA, plano de saúde"), que impede a comparação com o pacote atual
8. Prazo e próximo passoAté quando a proposta vale, como responder e o que acontece depois do simNenhum prazo — ou um prazo de 24 horas, que soa como pressão
9. ContatoNome e canal de quem responde a dúvidas até a data de inícioAssinar com o e-mail genérico do RH, que ninguém responde no fim de semana

Dois blocos pedem cuidado extra. O bloco 6 porque é onde a carta mais promete sem querer: "bônus de até dois salários" é lido como "dois salários". A forma honesta é escrever o alvo, a condição e o histórico, se houver ("no último ano, o time recebeu 80% do alvo"), e nunca somá-lo ao fixo no total da carta. O bloco 7 porque é o que a candidata usa para fazer a conta que a empresa não fez, e é por isso que o gerador abaixo o transforma numa tabela de comparação.

A carta também não é o lugar para escrever pela primeira vez o que o cargo faz. Se a candidata ainda tem dúvida sobre isso na proposta, a falha é anterior e está na descrição da vaga — o texto sobre como escrever a descrição de cargo tem um modelo completo, anotado bloco a bloco. E o salário da carta deveria sair de uma faixa, não de uma negociação do zero; de onde vem essa faixa está no guia de plano de cargos e salários.

Gerador de carta oferta com comparador de pacote

O gerador abaixo monta a carta com os nove blocos e, ao lado, faz a conta que a candidata vai fazer: o pacote mensal que ela tem hoje, o que a sua proposta oferece e o que a empresa atual dela precisaria oferecer para empatar. Os campos já vêm preenchidos com o exemplo deste texto — Marina, uma analista de dados fictícia —, e o resultado impresso na página é exatamente o desse exemplo. Troque os valores pelos seus; nada do que você digitar sai do seu navegador.

Monte a carta e compare o pacote

Valores em reais, por mês, exceto onde indicado. Use vírgula para decimais.

A proposta
O pacote atual da candidata (da conversa de fechamento)

A carta

Proposta: Analista de Dados Pleno

Olá, Marina,

Temos a alegria de fazer a você uma proposta para a posição de Analista de Dados Pleno no time de Operações. Das conversas com o time, ficou claro que a forma como você estrutura um problema antes de abrir os dados é exatamente o que procuramos.

Cargo
Analista de Dados Pleno, área de Operações
Liderança direta
Paula Souza
Modelo de trabalho
híbrido, com 2 dias por semana no escritório de São Paulo
Data de início
03/11/2026
Salário fixo
R$ 8.900,00 por mês, brutos, regime CLT
Variável
bônus-alvo de 1 salário por ano, pago em março do ano seguinte conforme o atingimento das metas do time e da empresa — não é garantido e não está somado ao salário acima
Benefícios
vale-refeição/alimentação de R$ 900,00 por mês; plano de saúde, somente titular (custo da empresa de R$ 450,00 por mês)

Esta proposta vale até 02/10/2026. Para aceitar, basta responder a esta mensagem; em seguida, enviaremos a lista de documentos e o roteiro da sua primeira semana. Se quiser conversar sobre qualquer ponto antes de decidir, estou à disposição.

Um abraço,
Renata Lima, recrutamento
Dúvidas: renata.lima@empresa-exemplo.com.br

O pacote que a candidata vai comparar

Comparação do pacote mensal equivalente: o pacote atual da candidata e o da proposta, com e sem o variável.
Por mês, equivalenteHojeProposta
Salário equivalente (× salários por ano ÷ 12)R$ 8.664,50R$ 9.886,42
BenefíciosR$ 1.950,00R$ 1.350,00
Pacote garantidoR$ 10.614,50R$ 11.236,42
Diferença sobre hoje—+5,9%
Com o variável no alvo (não garantido)—R$ 11.978,08 (+12,8%)

O salário da proposta é 14,1% maior que o atual, mas o pacote garantido é só 5,9% maior. Uma contraproposta de 7,2% no salário, sem mexer nos benefícios, já empata com a sua proposta.

Três escolhas do gerador merecem explicação. Os salários pagos por ano começam em 13,33, que é a conta usual de pacote no Brasil: doze salários, o décimo terceiro e o terço adicional das férias. Se a sua empresa usa outra convenção, mude o campo — o que importa é usar a mesma para os dois pacotes. O variável fica fora do pacote garantido e aparece numa linha à parte, calculado no alvo cheio; se o histórico do time é pagar menos que o alvo, a linha exagera. E o "empate" da contraproposta considera só o salário: se a empresa atual também melhorar os benefícios, ela empata com menos. Um cuidado de entrada: a candidata sabe o que recebe de vale e de salário, mas raramente sabe quanto o plano de saúde dela custa à empresa. Use o valor que ela informar, ou o preço de um plano equivalente no mercado, e trate esse número como o menos preciso da comparação.

Diagnóstico gratuito · 90 segundos

Veja onde a gestão das suas pessoas perde mais

Depois da contratação vêm as metas, a avaliação e o acompanhamento. O diagnóstico da Spire mede esse outro lado da gestão em quatro áreas — metas, desempenho, desenvolvimento e clima —, com oito perguntas fechadas e cerca de 90 segundos. Antes de mostrar a nota, a página pede quatro dados de contato — o seu nome, o e-mail do trabalho, o tamanho da empresa e o seu cargo. Em seguida vem a pontuação por área e o primeiro ponto a corrigir. Recrutamento não é uma das áreas avaliadas.

Fazer as oito perguntas

A conta que a candidata faz: por que 14% no salário viram 6% no pacote

O exemplo do gerador foi escolhido para mostrar o ponto em que mais propostas se perdem sem que a empresa perceba. A Marina ganha R$ 7.800 por mês e tem um pacote de benefícios forte: R$ 1.200 de vale-refeição e alimentação e um plano de saúde com dependentes que custa R$ 750 à empresa. A proposta oferece R$ 8.900 — 14,1% a mais, um número que qualquer gestora apresentaria com orgulho —, vale de R$ 900 e um plano só para a titular, de R$ 450.

Pacote mensal equivalente da Marina, exemplo fictício, em três situações. Hoje: R$ 8.664,50 de salário equivalente e R$ 1.950 de benefícios, total R$ 10.614,50. Proposta: R$ 9.886,42 de salário equivalente e R$ 1.350 de benefícios, total R$ 11.236,42, 5,9% acima de hoje. Contraproposta de 8% no salário da empresa atual: R$ 9.357,66 de salário equivalente e R$ 1.950 de benefícios, total R$ 11.307,66, R$ 71,24 acima da proposta. Salário equivalente é o salário mensal multiplicado por 13,33 e dividido por 12.

Na conta do pacote, a proposta é só 5,9% melhor que o que a Marina já tem — e a perda real é maior se ela tiver de pagar do próprio bolso o plano dos dependentes, que a conta avalia pelo custo da empresa. E a empresa atual, se quiser segurá-la, não precisa igualar os 14%: com 8% no salário ela passa a proposta em R$ 71 por mês, e com 7,2% empata. O pedido de demissão vira uma conversa com a liderança atual, a contraproposta chega, e a recrutadora da empresa nova recebe um "decidi ficar" sem entender o que aconteceu.

Nada disso aparece se a carta disser apenas "salário de R$ 8.900 + benefícios". E não é um problema de generosidade: a empresa nova talvez não possa pagar mais. É um problema de informação. Com a primeira pergunta da conversa de fechamento respondida, a recrutadora teria visto a diferença a tempo de escolher entre três caminhos: subir o salário para abrir distância no pacote, mostrar o que a conta não mostra (crescimento, escopo, a liderança — na pesquisa da Robert Half de dezembro de 2025, crescimento, com 45%, aparece praticamente empatado com remuneração maior, com 42%) ou aceitar o risco sabendo o tamanho dele.

A mesma lógica vale na direção contrária, dentro de casa: quando a empresa decide quanto dar de aumento a quem já está no time, a pergunta "quanto isso pesa no pacote da pessoa?" é a mesma. O texto sobre aumento por mérito e ciclo de revisão salarial faz essa conta para o orçamento inteiro.

Contraproposta: o que fazer quando a empresa atual reage

A contraproposta é o evento mais previsível da etapa de proposta, e mesmo assim costuma ser tratada como surpresa. Três regras ajudam.

1. Pergunte antes, não depois. A terceira pergunta da conversa de fechamento existe para isso. Se a candidata respondeu que sai por crescimento ou por liderança, uma contraproposta só de dinheiro tende a não resolver — mas não conte com isso: no número da Robert Half nos Estados Unidos, só 32% dos empregadores viram a pessoa sair em até um ano depois da contraproposta, ou seja, na maioria dos casos ela segurou. O dado não separa por motivo, e a amostra não foi publicada. Se ela respondeu que sai por dinheiro, a sua proposta precisa de folga no pacote, e o gerador acima diz quanta.

2. Decida o teto antes de enviar a carta. Leilão feito às pressas, por mensagem, sem aprovação, produz salários fora da faixa e um problema de equidade com quem já está no time. Leve para a aprovação interna o valor da proposta e até onde a empresa pode ir se houver contraproposta. Se o teto for o próprio valor da carta, diga isso à candidata com naturalidade: "esta é a nossa melhor proposta".

3. Não responda a uma contraproposta com pressa. Encurtar o prazo de resposta para "ganhar" da empresa atual é o erro mais comum e o que mais piora a experiência. A candidata está decidindo sobre a própria carreira com duas empresas pressionando ao mesmo tempo. A recrutadora que liga para perguntar "o que mudou para você?" e escuta tem mais chance do que a que manda uma segunda carta no mesmo dia.

E, se a candidata ficar, registre o motivo. Uma recusa por contraproposta é a informação mais valiosa que a etapa produz sobre o seu pacote em relação ao mercado — e é a primeira coisa que se perde quando o processo termina num "obrigada, fica para a próxima".

Os quatro indicadores da etapa de proposta

A etapa de proposta tem poucos eventos e todos com data, o que a torna uma das mais fáceis de medir. Os quatro indicadores abaixo cabem numa planilha com uma linha por proposta e cinco colunas de dados: A data da decisão de contratar, B data de envio da proposta, C data da resposta, D resposta (aceita, recusada ou retirada) e E se a pessoa começou de fato (sim ou não). Duas colunas auxiliares fazem as contas de prazo: F com =SE(B2="";"";B2-A2) e G com =SE(C2="";"";C2-B2), arrastadas até a linha 200. As fórmulas estão na sintaxe do Excel e do Google Planilhas em português.

Quatro indicadores da etapa de proposta de emprego, com definição, fórmula de planilha em português e o resultado no exemplo de 20 propostas de um trimestre.
IndicadorDefiniçãoFórmulaNo exemplo
Taxa de aceiteAceitas ÷ (aceitas + recusadas). Retiradas e pendentes ficam fora=SEERRO(CONT.SE(D2:D200;"aceita")/(CONT.SE(D2:D200;"aceita")+CONT.SE(D2:D200;"recusada"));"")78,9%
Tempo até a propostaMediana, em dias corridos, entre a decisão de contratar e o envio=MED(F2:F200)3 dias
Tempo até a respostaMediana, em dias corridos, entre o envio e a resposta, só das propostas respondidas=MED(G2:G200)4 dias
Desistência depois do aceiteAceitas que não começaram ÷ aceitas=SEERRO(CONT.SES(D2:D200;"aceita";E2:E200;"não")/CONT.SE(D2:D200;"aceita");"")6,7%

O exemplo é um trimestre fictício de 20 propostas: 15 aceitas, 4 recusadas e 1 retirada pela empresa, e uma das 15 aceitas terminou sem início, porque a pessoa desistiu antes do primeiro dia. Os prazos até a proposta vão de 1 a 9 dias entre as 20 linhas, e os prazos até a resposta, de 1 a 9 dias entre as 19 respondidas; as medianas são as da tabela. Três observações sobre as fórmulas:

  • A proposta retirada fica fora da taxa de aceite porque a candidata não chegou a decidir; a data de resposta dela fica em branco. Colocá-la no denominador faria a taxa cair por uma decisão da empresa. Uma proposta que venceu sem resposta, ao contrário, é uma recusa silenciosa — registre como recusada, com a data do vencimento.
  • O SE das colunas auxiliares não é enfeite. Sem ele, uma proposta ainda não enviada vira um prazo negativo e puxa a mediana para baixo. Com ele, a célula fica com texto vazio, e MED ignora texto — no Excel e no Google Planilhas.
  • A desistência depois do aceite é o indicador que ninguém mede e o que mais dói: a vaga foi fechada, os outros finalistas foram dispensados e o processo recomeça do zero. Quando ela aparece, a primeira suspeita é o intervalo entre o aceite e o primeiro dia, que é assunto do guia de onboarding dos primeiros 90 dias.

A taxa de aceite de 78,9% do exemplo parece ruim ao lado dos 82% da Gem (o guia do funil cita outra base, de anúncios de vaga da Appcast, com cerca de 75%), mas a comparação vale pouco: com 19 respostas, uma única recusa que virasse aceite levaria a taxa a 84,2%. Com volumes pequenos, o indicador mais útil não é a taxa, é a coluna de motivo da recusa, preenchida sempre com uma categoria fixa na frente — contraproposta, salário, outra proposta, modelo de trabalho, tempo do processo, outro — seguida do detalhe. Quatro recusas por contraproposta num trimestre dizem mais sobre o seu pacote do que qualquer pesquisa salarial. E o custo de cada recusa em vagas abertas por mais tempo entra na conta de planejamento de headcount.

Na Spire: propostas registradas, carta escrita com IA

No módulo de recrutamento da Spire (o ATS, liberado por empresa), a proposta tem, desde a versão de 24 de setembro de 2026, um desenho novo, com um princípio explícito na própria tela de Propostas: "O Spire não envia nada ao candidato. Copie a carta, envie pelo seu e-mail ou WhatsApp e registre aqui o envio e a resposta." A plataforma não manda e-mail com a proposta, não gera link de aceite e não tem página para o candidato. A conversa é da recrutadora; a Spire guarda as condições, a carta e o que aconteceu.

  1. RascunhoCondições e carta ainda editáveis
  2. EnviadaRegistrada pela recrutadora, com a data; as condições congelam
  3. Aceita ou recusadaA resposta da candidata, com o motivo em texto se for recusa; dá para registrar direto do rascunho
  4. RetiradaEncerrada pela empresa, com motivo interno
  5. Depois da aceita: contrataçãoA pessoa vira colaboradora, com as condições da proposta

Na prática, o caminho tem quatro passos:

  • Montar as condições. Na aba Condições, cargo, área e gestor já aparecem preenchidos com os da vaga; benefícios, tipo de contratação e modelo de trabalho deixados em branco são herdados da vaga ao salvar. A recrutadora completa salário base, moeda, periodicidade, bônus de contratação, remuneração variável e data de início. Se o salário ficar fora da faixa divulgada da vaga, a tela avisa ("Você ainda pode salvar — só confirme que é intencional"). A data de início não pode estar no passado, e cada candidatura tem no máximo uma proposta em aberto por vez.
  • Escrever a carta. Na aba Carta, o botão Escrever com IA gera um rascunho a partir das condições da proposta, do nome da empresa e do candidato e de orientações opcionais de tom. O modelo é instruído a não inventar valores, e a tela avisa: "A IA usa só as condições desta proposta e não inventa valores. Revise antes de salvar." O rascunho volta para a tela sem ser gravado; a recrutadora edita e clica em Salvar carta. Também dá para escrever a carta à mão ou anexar um PDF. Copiar carta leva o texto formatado para o e-mail e o texto simples para o WhatsApp.
  • Registrar o envio e a resposta. Marcar como enviada grava a data (hoje ou no passado) e move a candidatura para a etapa de proposta. Registrar resposta anota Aceitou ou Recusou, com um campo de motivo interno cujo exemplo é, não por acaso, "Contraproposta, salário, timing…".
  • Confirmar a contratação. Com a proposta aceita, Confirmar contratação cria o colaborador com a data de início, o cargo, a área e o gestor da proposta (o salário entra no histórico quando a proposta tem posição), consome uma vaga do headcount e, se marcado, reprova os demais candidatos da vaga. Só um administrador do recrutamento confirma, e a plataforma checa o limite de licenças. O acesso à plataforma não é criado nesse passo: o convite sai do perfil do colaborador.

A tela de Propostas lista tudo em abas (Rascunhos, Aguardando resposta, Aceitas, Encerradas), com colunas de salário base, início e data de envio, e mostra um cartão de Taxa de aceitação. O painel de análise do recrutamento tem o seu próprio indicador, Aceite de propostas, definido como "propostas aceitas ÷ propostas respondidas (recusas contam, pendentes não contam)" — a mesma conta da taxa de aceite da tabela de indicadores. Pela Roberta, a agente de IA da Spire, registrar envio, resposta, retirada ou contratação sempre para num pedido de confirmação para uma pessoa; a lógica dessas aprovações está no texto sobre o agente de IA no RH que planeja, delega e pede aprovação, publicado em setembro.

O que a Spire ainda não faz na proposta

  • Não há campo de validade. O prazo de resposta vai no texto da carta, e nada avisa sobre o prazo da carta quando ele passa — acompanhe pela aba Aguardando resposta.
  • O "Pacote anual estimado" da tela é o salário anualizado (× 12 quando mensal) mais bônus de contratação e variável. Não inclui benefícios nem o décimo terceiro.
  • O motivo da recusa é texto livre, sem categorias fixas. Para agregar depois, comece o campo sempre pela mesma palavra — Contraproposta:, Salário:, Outra proposta:.
  • Os dois indicadores de aceite não contam igual. O cartão da tela de Propostas filtra pela data de criação e inclui no denominador as antigas propostas expiradas; o painel de análise filtra pela data da resposta e deixa as expiradas de fora. Para comparar trimestres, use sempre o mesmo.
  • Não existe versão de proposta nem objeto de contraproposta. Se as condições mudarem depois do envio, a proposta é retirada e uma nova é criada.

Demonstração ao vivo · 20 minutos

Depois do sim, o primeiro ciclo

A proposta aceita abre um vínculo que precisa de metas, avaliação e 1:1 desde a primeira semana — e é isso que a demonstração mostra. Em 20 minutos, a equipe da Spire abre a plataforma com as áreas da sua empresa e monta, na tela, os objetivos e resultados-chave que vocês já perseguem hoje, sem ambiente de exemplo. Você não precisa preparar material. Se fizer sentido, a conversa termina com o preço para o tamanho do seu time. Depois do pedido, chegam por e-mail, em até um dia útil, opções de horário.

Agendar os 20 minutos

O roteiro da proposta em cinco dias úteis

O método inteiro deste texto cabe numa semana útil. A tabela abaixo é o roteiro da proposta da Marina, do dia em que a gestora decide contratar até a resposta — o calendário da empresa A na abertura, contado em dias úteis, com o que acontece em cada dia e quem faz.

Roteiro da proposta de emprego em cinco dias úteis, com o que acontece em cada dia e quem é responsável.
DiaO que aconteceQuem faz
Dia 0Entrevista final e decisão de contratar, no mesmo dia. A aprovação interna leva o valor da proposta e o teto para uma eventual contrapropostaGestora da vaga e quem aprova salários
Dia 1Conversa de fechamento com as cinco perguntas. Recrutadora roda o comparador com o pacote atual e ajusta o que for precisoRecrutadora
Dia 2Carta enviada com os nove blocos e prazo de resposta de três dias úteis. Envio registrado no sistemaRecrutadora
Dia 3A candidata pensa. Nenhuma cobrança; a gestora fica disponível para uma conversa, se ela pedirGestora, se chamada
Dia 4Resposta registrada, com o motivo na categoria certa se for recusa. Se for aceite, a lista de documentos e o roteiro da primeira semana saem no mesmo diaRecrutadora

Cinco dias úteis parecem pouco para quem está acostumado a esperar aprovação, e muito para quem está do outro lado com duas propostas na mesa. A empresa que perde a candidata no dia 9 raramente perde por causa do valor. Perde por ter mandado a carta tarde, sem saber com o que ela ia ser comparada.

Perguntas frequentes

Carta oferta e carta proposta são a mesma coisa?

Sim. Os dois nomes — e também "carta de oferta" — designam o documento que formaliza a proposta de emprego depois da decisão de contratar: cargo, remuneração, benefícios, data de início e prazo de resposta. O que muda é o costume de cada empresa; o conteúdo recomendado é o mesmo.

O que deve ter em uma carta proposta de emprego?

Nove blocos: a decisão e o motivo da escolha; cargo, nível, área e liderança direta; modelo de trabalho com o número de dias presenciais; data de início; salário mensal bruto e regime de contratação; remuneração variável, separada do fixo e com a condição de pagamento; cada benefício com o valor; prazo de resposta e próximo passo; e o contato de quem responde às dúvidas.

Qual é uma boa taxa de aceite de proposta de emprego?

O 2026 Recruiting Benchmarks Report da Gem, com 1,2 milhão de contratações de clientes da ferramenta entre junho de 2021 e maio de 2025, encontrou 82% de aceite entre as candidaturas que chegam à proposta. Não há um número brasileiro público com metodologia aberta. Com poucas propostas por trimestre, a taxa oscila muito de um período para outro, e os motivos de recusa dizem mais que o percentual.

Quanto tempo dar ao candidato para responder a uma proposta?

Três a cinco dias úteis costumam bastar e são o suficiente para a pessoa conversar com quem precisar. No levantamento de 2025 da NACE, sobre recrutamento universitário nos Estados Unidos, a resposta do estudante levou em média 9 dias. Prazos de 24 horas soam como pressão; proposta sem prazo nenhum deixa a vaga parada.

Como calcular se a proposta é melhor que o salário atual do candidato?

Compare o pacote, não o salário. Multiplique cada salário mensal pelo número de salários pagos no ano (13,33 é a conta usual no Brasil, com o décimo terceiro e o terço de férias), divida por 12 e some os benefícios mensais de cada lado. Deixe o variável fora do total garantido. O gerador deste texto faz a conta e mostra também o aumento que a empresa atual precisaria dar para empatar.

O que fazer quando o candidato recebe uma contraproposta?

Pergunte o que mudou para a pessoa antes de mudar a proposta. Se o motivo da saída era crescimento ou liderança, uma contraproposta só de dinheiro tende a resolver menos — mesmo assim, contrapropostas costumam segurar a pessoa, então trate o risco como real; se era dinheiro, só ajuda se o seu teto, aprovado antes do envio, permitir ir além. Evite encurtar o prazo de resposta para pressionar e registre o motivo se a pessoa ficar.

A proposta de emprego deve ser enviada por e-mail ou WhatsApp?

Por escrito, pelo canal que a candidata usa, depois de uma conversa por telefone ou vídeo em que a decisão já foi contada. Na Spire, a carta é copiada da plataforma com a formatação para o e-mail ou como texto simples para o WhatsApp, e o envio é registrado com a data.

A IA pode escrever a carta proposta?

Pode redigir, desde que a partir das condições já decididas e com revisão humana antes do envio. Na Spire, o botão Escrever com IA usa só os dados da proposta, é instruído a não inventar valores, benefícios, datas ou condições, e devolve um rascunho que só é gravado quando a recrutadora salva.

Fontes

  • Gem, 2026 Recruiting Benchmarks Report e o resumo "Key takeaways from the 2026 Recruiting Benchmarks Report" (1º de dezembro de 2025). Mais de 165 milhões de candidaturas, 15 milhões de candidatos e 1,2 milhão de contratações de clientes da ferramenta, de junho de 2021 a maio de 2025. Fornecedora de software de recrutamento; a base não é brasileira.
  • NACE, "Employers Make More Offers as Student Acceptance Rate Rises, Response Time Shortens" (30 de setembro de 2025), sobre o 2025 Recruiting Benchmarks Report. Campo de 21 de abril a 23 de maio de 2025; 197 organizações associadas e 15 não associadas; maioria recrutando nos Estados Unidos. Os 9 dias e os 27,3 dias são médias de recrutamento universitário.
  • Robert Half Brasil, "Nova pesquisa revela que 47% dos trabalhadores brasileiros planejam buscar um novo emprego no segundo semestre de 2026" (agosto de 2026). 1.000 profissionais de finanças e contabilidade, tecnologia, engenharia, jurídico e administrativo.
  • Robert Half Brasil, "61% dos profissionais querem novo emprego em 2026" (dezembro de 2025). 500 profissionais empregados ou em recolocação, campo em novembro de 2025; respostas múltiplas.
  • HRD America, "Are counteroffers still effective in 2026?" (16 de junho de 2026), citando o Guia Salarial 2026 da Robert Half nos Estados Unidos: 85% e 32%. O artigo não publica amostra nem metodologia.
  • Spire, módulo de recrutamento: tela de Propostas e endpoints de proposta, na versão de 24 de setembro de 2026. O exemplo da Marina, o trimestre de 20 propostas e as duas empresas da abertura são fictícios, montados para este texto; as contas foram feitas em código.

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