Uma política de uso de IA no RH é o documento que diz, para cada tarefa da área, se a inteligência artificial pode ser usada, com que dados, em que ferramenta e quem confere o resultado antes de ele valer. A maior parte das políticas escritas até aqui responde a outra pergunta — quais ferramentas são permitidas — e os levantamentos de 2026 mostram o que acontece com elas: são contornadas. Este guia troca a unidade da política. Em vez da ferramenta, a tarefa. Ele traz os números do ano, três perguntas que classificam qualquer uso de IA em três faixas, a régua já resolvida para vinte tarefas de RH, um classificador para as suas tarefas, o modelo da política inteira em uma página, como a Spire aplica as mesmas faixas na própria IA, três indicadores e, no fim, seis frases comuns de política reescritas.
52 em cada 100
profissionais de escritório de grandes empresas, no mínimo, dizem trabalhar num lugar que tem política de IA e já usaram uma ferramenta que achavam que ela proibia.
A conta: se 86% estão num grupo e 66% no outro, pelo menos 86 + 66 − 100 = 52% estão nos dois. É um piso; a sobreposição real pode ser maior.
O que os levantamentos de 2026 dizem sobre política de IA
Três pesquisas do ano, feitas por gente diferente com perguntas diferentes, apontam para o mesmo problema por lados diferentes. Elas não se somam — cada uma mede uma coisa — e cada número abaixo vem com a base dele.
O uso já é a regra, inclusive no RH brasileiro. Em agosto de 2026, durante o CONARH, 1.130 profissionais de RH de 26 estados responderam ao levantamento da LG lugar de gente com a FIA Business School: cerca de 94% usam IA em tarefas operacionais e repetitivas, e 21% a usam como apoio a decisões. Os mesmos profissionais estimam ganhar 5,4 horas por semana com isso.
A regra escrita ainda é a exceção. Na pesquisa da Buk com líderes de RH, departamento pessoal e gestão de pessoas, divulgada em 15 de outubro de 2026, 73% trabalham em organizações sem regras formais para o uso de IA. Em perguntas separadas, 36% dizem que a política ainda está sendo escrita e 33% que o uso acontece de maneira informal — os dois números não somam os 73%, e a divulgação não explica a diferença. Também não traz quantas pessoas responderam nem quando, então os percentuais servem como ordem de grandeza.
Relatam alívio na sobrecarga de trabalho com a IA
E onde a regra existe, ela é contornada. É o dado da abertura. Na mesma pesquisa da PagerDuty, 88% dizem já ter compartilhado informação de trabalho com uma ferramenta pública de IA; 31%, informação financeira ou documento confidencial. Entre quem usou ferramenta que achava proibida, 48% sofreram alguma consequência formal. E 77% de todos os entrevistados acham que as restrições da empresa ao uso de IA limitam o seu crescimento profissional. A pesquisa não cruza esse número com o de quem contornou a regra, mas ele mostra como a maioria vê a restrição: como freio.
Juntas, as três pesquisas desenham o problema que este guia tenta resolver. A pergunta "posso usar o ChatGPT?" tem resposta fácil e inútil. A pergunta que a pessoa do RH realmente tem às 17h de uma terça é outra: posso usar IA para resumir estes doze currículos? Uma política que responde à primeira e cala sobre a segunda é contornada exatamente na segunda.
A unidade da política é a tarefa, não a ferramenta
Ferramenta muda a cada trimestre; tarefa, quase nunca. "Resumir a entrevista a partir da transcrição" tem o mesmo risco em qualquer produto que faça isso, e o mesmo modo de errar: o resumo inventa ou omite algo que a pessoa disse. Escrever a política por tarefa faz duas coisas que a lista de ferramentas não faz. Ela libera o que pode ser liberado — escrever a fórmula de turnover numa ferramenta pública não expõe ninguém — e concentra a atenção no pequeno conjunto de tarefas em que a IA chega perto de uma decisão sobre uma pessoa.
A classificação cabe em três perguntas, feitas nesta ordem. A primeira resposta "sim" encerra a classificação.
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1O que a IA entrega é a decisão final sobre uma pessoa?
Contratar, reprovar, dar a nota final, conceder aumento ou promoção, desligar. Conta também a saída que vira decisão sem ser reescrita — uma lista de "aprovados" que ninguém refaz.
Sim → Faixa 3 · decisão humana
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2Entra dado que identifica uma pessoa, ou a saída fala de uma pessoa?
Nome, currículo, avaliação, anotação de 1:1, comentário de pesquisa, salário, atestado. Uma nota, um ranking ou uma recomendação sobre candidatos entram aqui, mesmo que alguém decida depois.
Sim → Faixa 2 · com conferência
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3Nenhuma das duas?
Texto, conta, estrutura ou análise sem pessoa identificável: o anúncio da vaga, as âncoras de uma escala, a fórmula de um indicador, um comunicado geral.
→ Faixa 1 · uso livre
Uma regra separada decide onde a tarefa pode rodar, e ela olha só para o dado, não para a faixa. O dado se divide em quatro classes:
| Classe do dado | O que é | Pode entrar em |
|---|---|---|
| Público | Já publicado ou genérico: a vaga no ar, o texto do site, uma pergunta sem nada da empresa | Qualquer ferramenta |
| Interno | Material da empresa sem pessoa identificável: rascunho de política, orçamento agregado por área, descrição de cargo antes de publicar | Ferramentas da lista aprovada |
| Pessoal | Qualquer coisa que identifique alguém: currículo, avaliação, anotação de 1:1, comentário de pesquisa | Ferramentas da lista aprovada |
| Sensível | Parte do pessoal: saúde e atestados, salário individual, motivo de desligamento, medida disciplinar, dados de diversidade | Só as ferramentas que a lista marca como aptas a dado sensível |
A regra de onde rodar é o que deixa a política aceitável para quem usa IA todo dia: tarefa de dado público roda em qualquer lugar, inclusive na ferramenta que a pessoa já usa em casa. É também a regra que dá nome ao vazamento que a PagerDuty mediu: informação financeira e documento confidencial são dado interno ou sensível, e a regra diz em que ferramenta cada um pode entrar.
Faixa 1
Uso livre
A IA pode: escrever, calcular, estruturar, traduzir.
Conferência: a leitura normal de quem vai usar o texto.
Onde roda: decide a classe do dado — só o dado público vai para qualquer ferramenta.
Ex.: as âncoras de uma escala, o anúncio da vaga, a fórmula do turnover.
Faixa 2
Com conferência
A IA pode: resumir, organizar, sugerir, ranquear — sobre pessoas.
Conferência: ativa e registrada, num dos dois formatos da próxima seção.
Ex.: resumo de entrevista, ranking de currículos, rascunho de PDI.
Faixa 3
Decisão humana
A IA pode: organizar os fatos que a pessoa vai usar.
Não pode: escrever a decisão nem a justificativa registrada dela. Uma pessoa nomeada escreve as duas.
Ex.: reprovar candidato, nota final, aumento individual.
"Revisão humana" que não adormece
É comum a política de IA trazer a frase "toda saída deve ser revisada por um humano". Ela parece a trava mais forte do documento e é a mais frágil, por causa de um experimento feito justamente com recrutadores.
O experimento
181 recrutadores profissionais, contratados para avaliar 44 currículos cada um — quase 8 mil avaliações para uma vaga de engenharia de software. Uma parte recebia a recomendação de uma IA; a qualidade dessa IA foi sorteada, e cada um sabia qual tinha recebido.
IA que acertava ~75%
- mais tempo em cada currículo
- menos aceitação automática da recomendação
- aprenderam a usar melhor a IA ao longo da tarefa
avaliações finais mais precisas
IA que acertava ~85%
- menos tempo em cada currículo
- mais escolha direta do candidato recomendado
- menos esforço próprio
avaliações finais menos precisas
O nome do artigo — "dormir ao volante" — descreve o mecanismo. Quanto melhor a ferramenta parece, menos atenção a pessoa põe na conferência, e a dupla pessoa + IA rende menos do que poderia. O autor conclui que a colaboração precisa ser desenhada para manter a pessoa atenta — e chega a escrever que, para isso, uma IA de qualidade menor pode render mais. Uma política não precisa escolher ferramenta pior: mantém a pessoa atenta trocando "revisar" por um formato de conferência que obriga trabalho próprio. Dois formatos cobrem quase toda a faixa 2:
Veredito antes
Para notas, rankings e recomendações sobre pessoas.
Quem decide escreve a própria avaliação antes de abrir a da IA — a nota do currículo, a ordem dos três finalistas — e só então compara. Registra uma linha: as duas concordaram ou não, e qual ficou.
Conferência contra a fonte
Para resumos, rascunhos e agrupamentos.
Cada fato do texto da IA aponta para o trecho de onde veio — a fala da transcrição, a anotação da 1:1, o comentário da pesquisa. O que não tem trecho sai. Em agrupamentos de muitos itens, como centenas de comentários, confere-se uma amostra sorteada. Registra uma linha: o texto mudou ou não.
O registro de uma linha é o que transforma a conferência em dado. Se, depois de 30 resumos conferidos de uma mesma tarefa, ninguém mudou nada, há duas explicações possíveis — a ferramenta é ótima ou a conferência adormeceu — e o experimento acima sugere desconfiar da segunda. É o mesmo princípio da entrevista estruturada: decidir a régua antes de ver o candidato protege a decisão da primeira impressão; aqui, decidir o próprio veredito antes de ver o da IA protege a decisão da recomendação.
Diagnóstico · nota depois do cadastro
Onde a IA vai entrar já tem processo?
A faixa 2 só funciona onde a área já sabe o que é uma boa avaliação, uma boa meta ou uma boa pesquisa. O diagnóstico de gestão da Spire dá uma nota para quatro frentes — metas, desempenho, desenvolvimento e clima — e aponta a mais frágil. Leva cerca de 90 segundos; antes da nota, o formulário pede quatro dados: nome, cargo, e-mail de trabalho e porte da empresa.
A régua resolvida: 20 tarefas de RH em três faixas
A tabela abaixo aplica as três perguntas e a regra do dado a vinte tarefas comuns de RH, em cinco áreas. Cada linha foi classificada pelo teste publicado acima, na ordem das perguntas — se você discordar de uma linha, discorde da pergunta que a decide, não da cor.
| Tarefa | Dado | Faixa | Conferência |
|---|---|---|---|
| Recrutamento e seleção | |||
| Escrever o anúncio da vaga a partir da descrição de cargo aprovada | Interno | 1 | Leitura normal |
| Ranquear currículos por aderência à vaga | Pessoal | 2 | Veredito antes |
| Reprovar quem ficou abaixo de uma nota dada pela IA | Pessoal | 3 | Pessoa decide e justifica |
| Resumir a entrevista a partir da transcrição | Pessoal | 2 | Contra a fonte |
| Rascunhar o retorno a um candidato reprovado | Pessoal | 2 | Contra a fonte (o motivo registrado) |
| Desempenho | |||
| Escrever as âncoras de cada nível de uma escala de avaliação | Interno | 1 | Leitura normal |
| Organizar as anotações do ano de uma pessoa em fatos por competência | Pessoal | 2 | Contra a fonte |
| Definir a nota final da avaliação | Pessoal | 3 | Pessoa decide e justifica |
| Escrever o texto da devolutiva de uma nota já decidida | Pessoal | 2 | Contra a fonte (a nota e os fatos) |
| Desenvolvimento | |||
| Montar a trilha de aprendizagem de um cargo | Interno | 1 | Leitura normal |
| Rascunhar o PDI de uma pessoa a partir da conversa de 1:1 | Pessoal | 2 | Contra a fonte |
| Preparar a pauta da próxima 1:1 a partir das anteriores | Pessoal | 2 | Contra a fonte |
| Clima e comunicação | |||
| Redigir um comunicado geral para a empresa | Interno | 1 | Leitura normal |
| Agrupar em temas os comentários abertos da pesquisa de clima | Pessoal | 2 | Contra a fonte, por amostra |
| Remuneração, saúde e estrutura | |||
| Simular o orçamento de mérito com números agregados por área | Interno | 1 | Leitura normal |
| Comparar o salário de uma pessoa com a faixa do cargo | Sensível | 2 | Contra a fonte |
| Decidir o aumento individual | Sensível | 3 | Pessoa decide e justifica |
| Somar os dias de afastamento por área a partir dos atestados | Sensível | 2 | Contra a fonte, por amostra |
| Escrever a fórmula de planilha da taxa de turnover | Público | 1 | Leitura normal |
| Montar a lista de quem sai numa redução de quadro | Sensível | 3 | Pessoa decide e justifica |
Na contagem, seis tarefas ficam na faixa 1, dez na faixa 2 e quatro na faixa 3. Quatro casos merecem comentário porque costumam ser classificados errado.
- "Simular o orçamento de mérito" é faixa 1, mas só enquanto o número é de área. Numa área de duas pessoas, o agregado identifica alguém: o dado passa a ser sensível e a tarefa sobe para a faixa 2. A conta do orçamento está no guia do ciclo de revisão salarial.
- "Escrever a fórmula do turnover" é dado público. A pergunta não leva nada da empresa — o número entra depois, na planilha. É o exemplo de tarefa que a política deve liberar em voz alta; a fórmula pronta, com as duas taxas que o mercado confunde, está no guia de cálculo de turnover.
- Comunicar uma decisão já registrada é faixa 2. O retorno ao candidato reprovado e o texto da devolutiva não decidem nada: a decisão e o motivo já foram escritos por uma pessoa, e o texto da IA é conferido contra esse motivo.
- "Ranquear currículos" é faixa 2, e "reprovar abaixo de uma nota" é faixa 3 — mesmo que use o mesmo ranking. A diferença é se alguém refaz a decisão. Um ranking que o recrutador lê depois de escrever o próprio veredito é apoio; o mesmo ranking com um corte automático é a decisão. A nota de corte bem desenhada, decidida por pessoas, está no guia do teste para processo seletivo.
Classificador: em que faixa está a sua tarefa
O classificador aplica as três perguntas e a regra do dado a uma tarefa sua, a partir de três escolhas, devolve a faixa, se a ferramenta escolhida serve e o formato de conferência — e junta cada tarefa classificada numa lista pronta para colar como anexo da política. Ele começa com uma tarefa da régua preenchida e com três linhas de exemplo na lista.
Classifique uma tarefa
Tudo acontece nesta página: o que você escreve não sai do seu computador.
Faixa 2 · com conferência
Ferramenta: pode usar — dado pessoal só entra em ferramenta da lista aprovada, e esta está nela.
Conferência: veredito antes — quem decide escreve a própria avaliação antes de abrir a da IA e registra se as duas divergiram.
Faixa 2. Ferramenta permitida.
Anexo da política — tarefas classificadas
Escrever o anúncio da vaga a partir da descrição de cargo aprovada | Faixa 1 | dado interno | lista aprovada | leitura normal Resumir a entrevista a partir da transcrição | Faixa 2 | dado pessoal | lista aprovada | conferência contra a fonte Decidir o aumento individual | Faixa 3 | dado sensível | lista apta a dado sensível | pessoa decide e justifica
Três testes mostram a regra funcionando. Troque a ferramenta para "Fora da lista aprovada": o classificador mantém a faixa 2, mas diz para não usar aquela ferramenta, porque dado pessoal só entra na lista. Troque o dado para "Público" e a entrega para "Texto, conta ou estrutura": a tarefa cai para a faixa 1 e qualquer ferramenta serve. Volte para "Pessoal", a ferramenta para "Na lista aprovada" e marque "A decisão final": a faixa vira 3 e a conferência deixa de ser comparação — a pessoa escreve a decisão.
O modelo: a política de uso de IA do RH em uma página
O documento abaixo é a política inteira. Os trechos entre colchetes são o que cada empresa preenche; o resto pode ser usado como está. Ele cabe em uma página porque as tarefas não moram nele — moram no anexo, que é a lista do classificador e cresce sem que a política mude.
[Empresa] · Recursos Humanos
Política de uso de inteligência artificial no RH
- Para que serve. Dizer, para cada tarefa do RH, se a IA pode ser usada, com que dado, em que ferramenta e quem confere. O objetivo é usar mais IA onde ela é segura e menos onde ela decide sobre pessoas.
- A unidade é a tarefa. Toda tarefa feita com IA está no anexo, com a sua faixa. Tarefa que não está no anexo é classificada pelas três perguntas da cláusula 3 e, na dúvida entre duas faixas, vale a mais alta, até o dono desta política confirmá-la, em até 5 dias úteis.
- As três faixas. Faixa 3: a saída da IA é a decisão final sobre uma pessoa (contratar, reprovar, nota final, aumento, promoção, desligamento). Faixa 2: entra dado que identifica alguém, ou a saída fala de alguém. Faixa 1: nenhuma das duas. A primeira que se aplicar vale.
- Onde cada dado pode entrar. Dado público: qualquer ferramenta. Dado interno e pessoal: só as ferramentas da lista abaixo. Dado sensível (saúde e atestados, salário individual, motivo de desligamento, medida disciplinar, dados de diversidade): só as ferramentas da lista marcadas como aptas a ele.
- Ferramentas aprovadas. [Nome da ferramenta — o que pode receber — apta a dado sensível: sim/não — responsável pela conta]. Pedidos de inclusão vão ao dono desta política.
- Conferência. Faixa 1: leitura normal de quem usa. Faixa 2: veredito antes para notas, rankings e recomendações; conferência contra a fonte para resumos, rascunhos e agrupamentos; nos dois casos, uma linha de registro dizendo se a saída da IA foi alterada. Faixa 3: a IA organiza os fatos; a decisão e a justificativa são escritas por uma pessoa nomeada, sem copiar o texto da IA.
- Quem é afetado sabe. Candidatos e colaboradores são avisados quando uma etapa que os envolve usa IA — transcrição de entrevista, resumo, triagem — por escrito, antes da etapa.
- Revisão. No primeiro dia útil de cada trimestre, o dono desta política apresenta três números (cobertura do anexo, taxa de alteração na conferência e prazo de classificação), muda o que eles pedirem e publica a versão nova com data.
Anexo: lista de tarefas classificadas, no formato tarefa · faixa · dado · ferramenta · conferência.
Duas cláusulas resolvem casos que a lista de ferramentas não alcança. A cláusula 2 resolve o caso que trava tudo — "e se a tarefa não está prevista?" — com uma regra para a dúvida e um prazo para a resposta, em vez de um "consulte o RH" sem dono. E a cláusula 7 resolve a confiança de quem está do outro lado: o candidato que descobre depois que a entrevista dele foi transcrita perde mais confiança do que o que foi avisado antes. As mensagens prontas para isso estão no guia de IA na entrevista de emprego.
Para as tarefas da faixa 2 que se repetem toda semana, a política fica mais forte quando a instrução também é escrita: um arquivo de instruções testado, que diz à IA o que fazer e como apontar a fonte de cada fato. O passo a passo para escrever e testar esse arquivo está em skills de IA para RH: como escrever e testar; quem está começando pode antes passar pelos cinco módulos de treinamento em IA para o RH.
Como a Spire aplica as três faixas na própria IA
A Spire tem um agente de IA nativo, a Roberta, que abre pelo botão flutuante em qualquer página de quem está logado e faz, na conversa, o que a pessoa faria nas telas — consultar, rascunhar, registrar. Como ela funciona por dentro — o planejamento, a divisão em agentes por módulo e o pedido de aprovação — está no post sobre o agente de IA no RH. Aqui interessa outra coisa: onde cada cláusula do modelo acima encontra um controle do produto.
| Cláusula da política | Onde fica na Spire |
|---|---|
| 3 · As três faixas | Em Permissões da Roberta (o ícone de escudo na caixa de mensagem), cada pessoa escolhe, ferramenta por ferramenta, entre "Sempre perguntar", o padrão, e "Aprovar por mim". No segundo caso, uma revisão automática confere o pedido, o impacto e a proteção de dados antes de cada ação; ações sensíveis — exclusões, dados médicos, acessos, decisões finais, propostas — só passam com certeza máxima e quando a pessoa pediu exatamente aquela ação. Na dúvida ou em falha da revisão, volta a pedir a aprovação de quem pediu. A política traduz-se assim: só ferramentas de faixa 1 — texto sem pessoa, como o rascunho de um comunicado geral — podem ficar em "Aprovar por mim", se a política permitir; as que gravam algo sobre uma pessoa (faixa 2) e as de decisão final (faixa 3) ficam em "Sempre perguntar", e na faixa 3 o motivo é escrito pela pessoa — no "Editar" do cartão ou direto na tela —, não aceito como a IA redigiu. |
| 4 · Onde cada dado pode entrar | A Roberta consulta com as permissões de quem pergunta: as consultas passam pelas mesmas rotas e regras de acesso das telas, e o que as permissões da pessoa não alcançam, a Roberta também não lê. Módulos desligados pela empresa, como 1:1, PDI ou desempenho, ficam fora das ferramentas dela. |
| 5 · Ferramentas aprovadas | A Spire também se conecta a assistentes externos pelo protocolo MCP. Nessa conexão, a escrita é executada quando o assistente a chama, sem o cartão de aprovação da Spire; a confirmação, se houver, é a do próprio aplicativo. Por isso a conexão entra na lista da política como uma ferramenta à parte, com o seu próprio responsável. O acesso expira em 7 dias por padrão. |
| 6 · Conferência | Com "Sempre perguntar", cada escrita da Roberta para num cartão de aprovação, com "Ver detalhes", "Editar" e os botões "Aprovar" e "Rejeitar" — editar antes de aprovar vira "Aprovar com alterações". É onde a conferência acontece: a pessoa vê exatamente o que será gravado antes de valer. |
| 6 · Registro da conferência | Cada ação executada aparece na conversa como "Aprovado automaticamente" ou "Concluído após sua aprovação" — dá para saber, depois, qual passou pela pessoa. |
| 6 · Veredito antes, na entrevista | Com a transcrição do Google Meet ligada (recurso opcional do ATS), a IA propõe uma nota por critério do roteiro, com o trecho da conversa que a sustenta. A sugestão fica escondida até quem entrevistou pedir "Mostrar sugestões da IA", com o aviso para fazer primeiro a própria leitura, e nunca vira avaliação: quem entrevistou preenche a própria. Sugestões com citação que não está na transcrição são descartadas. |
Dois limites que a política precisa cobrir, porque o produto deixa a decisão com as pessoas. A escolha entre "Sempre perguntar" e "Aprovar por mim" é individual: a Spire não trava essa preferência pela empresa, então é a política que diz qual vale para as ferramentas que gravam algo sobre pessoas. E as conversas com a Roberta são de quem conversou — administradores não leem as conversas dos outros —, então a linha de registro da faixa 2 continua sendo escrita onde a decisão é registrada, como no roteiro de entrevista ou na avaliação, e não buscada depois no histórico do agente.
Teste de 15 dias
Configure a faixa 3 antes de liberar a IA
Crie a conta, abra a Roberta, clique no escudo da caixa de mensagem e veja as ferramentas de escrita agrupadas por módulo, com o tipo de revisão de cada uma. Deixe "Sempre perguntar" nas que gravam algo sobre pessoas e peça o rascunho de um comunicado para ver o cartão de aprovação antes de qualquer coisa ser gravada. Sem time cadastrado? A conta pode nascer com pessoas fictícias, escolhidas na hora de criar o acesso.
Três números para a revisão trimestral
A cláusula 8 promete três números. Eles saem de três planilhas simples: o anexo (colunas A tarefa, B faixa, C dado, D data do pedido, E data da classificação, F prazo), o levantamento do trimestre (coluna A com as tarefas que o time declarou ter feito com IA, sem repetição) e o registro de conferência (uma linha por saída conferida na faixa 2: B tarefa, D "alterou?" em Sim/Não). As fórmulas estão em sintaxe de planilha em português.
| Indicador | Fórmula | Como ler |
|---|---|---|
| Cobertura do anexo tarefas com IA já classificadas ÷ tarefas com IA declaradas no levantamento do trimestre | =SOMARPRODUTO((Levantamento!A2:A200<>"")*(CONT.SES(Anexo!A2:A200;Levantamento!A2:A200;Anexo!E2:E200;"<>")>0))/CONT.VALORES(Levantamento!A2:A200) | Abaixo de 80% (uma convenção deste modelo), boa parte do uso está correndo fora da política. A tarefa precisa estar escrita igual nas duas planilhas. Repita o levantamento — "que tarefas você fez com IA neste trimestre?" — a cada revisão. |
| Taxa de alteração na conferência saídas da faixa 2 alteradas ÷ saídas conferidas | =CONT.SE(Registro!D2:D5000;"Sim")/CONT.VALORES(Registro!D2:D5000); por tarefa, para a regra das 30 conferências: =CONT.SES(Registro!B2:B5000;"<tarefa>";Registro!D2:D5000;"Sim")/CONT.SE(Registro!B2:B5000;"<tarefa>") | Zero depois de 30 conferências de uma mesma tarefa é sinal para olhar a conferência, não só a ferramenta: sorteie cinco saídas e confira contra a fonte com outra pessoa. |
| Prazo de classificação parcela dos pedidos classificados em até 5 dias úteis | =CONT.SES(Anexo!D2:D200;">="&H1;Anexo!F2:F200;"<=5")/CONT.SES(Anexo!D2:D200;">="&H1), com H1 = primeiro dia do trimestre, com F2 =SE(E2="";"";DIATRABALHOTOTAL(D2;E2)-1) | A cláusula 2 promete 5 dias úteis; pedido ainda aberto conta como fora do prazo até ser classificado. Prazo maior empurra as pessoas de volta para a ferramenta que já usam, sem pedir. |
Num exemplo pequeno: num trimestre, a equipe declarou 25 tarefas feitas com IA e o anexo classificou 21 — cobertura de 84%. Na faixa 2, foram conferidas 40 saídas e 3 foram alteradas — taxa de 7,5%. Os três números entram na mesma reunião em que a área revisa os outros indicadores; o lugar dela no calendário do ano está no guia de rituais de gestão de pessoas.
Perguntas frequentes sobre política de uso de IA no RH
O que deve ter uma política de uso de IA no RH?
Quatro decisões: que tarefas podem usar IA, que dado pode entrar em cada ferramenta, quem confere o resultado e como, e quem responde quando aparece uma tarefa nova. O modelo deste guia organiza isso em oito cláusulas numa página e deixa a lista de tarefas num anexo que cresce sem mudar o documento.
Existe um modelo de política de uso de IA pronto para o RH?
Sim: o modelo deste guia tem oito cláusulas numa página — finalidade, unidade da tarefa, três faixas, onde cada dado pode entrar, ferramentas aprovadas, conferência, aviso a quem é afetado e revisão trimestral. Os trechos entre colchetes são o que cada empresa preenche, e a lista de tarefas fica num anexo montado com o classificador.
É melhor proibir ferramentas de IA ou liberar?
Proibir por ferramenta tende a ser contornado: na pesquisa da PagerDuty de junho de 2026, 66% dos profissionais de escritório de grandes empresas já usaram uma ferramenta de IA que acreditavam não ser permitida. Funciona melhor liberar por dado — dado público em qualquer ferramenta, dado interno e pessoal só nas ferramentas aprovadas, dado sensível só nas aprovadas para ele.
A IA pode reprovar candidatos?
Pela régua deste guia, não: reprovar é uma decisão final sobre uma pessoa e fica na faixa 3. A IA pode ranquear currículos (faixa 2), desde que quem decide escreva o próprio veredito antes de abrir o da IA e registre quando os dois divergem.
"Revisão humana" não basta?
Sozinha, não. No experimento de Fabrizio Dell'Acqua com 181 recrutadores, quem recebeu uma IA mais precisa dedicou menos tempo a cada currículo e terminou com avaliações menos precisas do que quem recebeu uma IA pior. A política precisa dizer como se confere: veredito antes, para notas e rankings; conferência contra a fonte, para resumos e rascunhos.
Que dados de funcionários não devem entrar em ferramentas de IA?
Nenhum dado que identifique uma pessoa deve entrar em ferramenta fora da lista aprovada pela empresa. Dentro dela, o dado sensível — saúde e atestados, salário individual, motivo de desligamento, medida disciplinar, dados de diversidade — só entra nas ferramentas que a lista marca como aptas a ele.
Quem deve ser o dono da política de IA do RH?
Uma pessoa nomeada da liderança de RH, com prazo para classificar tarefas novas (o modelo usa 5 dias úteis) e a obrigação de apresentar três números a cada trimestre: cobertura do anexo, taxa de alteração na conferência e prazo de classificação.
Seis frases de política de IA que não decidem nada — e a versão que decide
As frases abaixo aparecem com variações em muitas políticas de IA. Cada uma tem a intenção certa e um defeito que a torna inútil quando a dúvida aparece. Cada cartão traz o defeito e, embaixo, a versão usada no modelo.
"É proibido usar ferramentas de IA não homologadas."
Proíbe a ferramenta e cala sobre a tarefa; é a regra que 66% contornam.
"Tarefas com dado público podem usar qualquer ferramenta. Dado interno ou pessoal só entra nas ferramentas da lista aprovada."
"Toda saída de IA deve ser revisada por um humano."
Não diz como; revisão sem formato adormece quando a ferramenta parece boa.
"Na faixa 2, quem confere escreve o próprio veredito antes de abrir o da IA, ou aponta a fonte de cada fato, e registra se alterou a saída."
"A IA não pode tomar decisões sobre pessoas."
Vago: ranquear currículos é decidir? A frase não responde, e cada pessoa lê de um jeito.
"A IA não escreve a decisão final nem a justificativa registrada dela: contratar, reprovar, nota final, aumento, promoção e desligamento."
"Não insira dados confidenciais em ferramentas de IA."
"Confidencial" não é uma lista; cada pessoa decide sozinha o que é.
"Dado sensível — saúde e atestados, salário individual, motivo de desligamento, medida disciplinar e dados de diversidade — só entra nas ferramentas da lista aptas a ele."
"Use a IA com bom senso e responsabilidade."
Não decide nenhum caso; transfere a política inteira para o julgamento de quem está com pressa.
"Tarefa fora do anexo passa pelas três perguntas; na dúvida entre duas faixas, vale a mais alta até o dono da política confirmar, em até 5 dias úteis."
"Esta política será revisada periodicamente."
Sem data, sem dono e sem medida, "periodicamente" vira nunca.
"No primeiro dia útil de cada trimestre, o dono apresenta cobertura do anexo, taxa de alteração e prazo de classificação, e publica a versão nova com data."
Uma política de IA boa é curta onde quase nada pode dar errado e precisa onde uma pessoa pode ser prejudicada. As três faixas fazem a política ser assim: liberam a maior parte do trabalho, nomeiam o pequeno conjunto de decisões que continuam humanas e transformam a conferência em algo que se mede. Comece pelo levantamento — que tarefas o seu time já faz com IA — e classifique as dez primeiras com o classificador. O anexo vem antes da página; a página é o que sobra quando o anexo está claro. Para pôr a política no plano do ano, o radar do que adotar em 2027 já traz um resultado-chave pronto para ela.
Fontes
- PagerDuty, pesquisa sobre uso de IA não autorizado no trabalho, release de 11/06/2026. Campo pela Wakefield Research com 1.250 profissionais de escritório fora de TI, em empresas com receita anual de US$ 500 milhões ou mais: 500 nos EUA e 250 em cada um de Reino Unido, Austrália e Japão. Período de campo não publicado. Números usados: 66%, 86%, 88%, 31%, 48% e 77%.
- LG lugar de gente, com a FIA Business School: pesquisa com 1.130 profissionais de RH de 26 estados e mais de 40 setores, feita em agosto de 2026 durante o CONARH, divulgada pela InfoMoney em 12/09/2026. Números usados: 94% usam IA, 21% como apoio a decisões, 5,4 horas por semana.
- Buk, "A IA no RH brasileiro sem filtros e nem discurso", com líderes de RH, departamento pessoal e gestão de pessoas, divulgada em 15/10/2026 (TI Inside). Tamanho da amostra e período de campo não informados na divulgação. Números usados: 73%, 36%, 33% e a comparação 56% / 42% / 33%.
- Fabrizio Dell'Acqua, "Falling Asleep at the Wheel: Human/AI Collaboration in a Field Experiment on HR Recruiters", working paper, Laboratory for Innovation Science, Harvard Business School. Experimento de campo pré-registrado com 181 recrutadores e 44 currículos cada um; IA de acerto de cerca de 85% e de cerca de 75% sorteadas entre os participantes.
- Régua de 20 tarefas, classificador e modelo de política: elaborados para este guia. Os números do exemplo de indicadores (25, 21, 40 e 3) são ilustrativos.


